segunda-feira, abril 24, 2006

Conta postal

Desde a semana passada já tenho conta postal, por onde devo receber minha bolsa. Abri ela pela Universidade. Demorou um pouco mais que o comum porque esqueceram de me avisar que eu tinha que assinar o formulário. Tive que voltar no escritório de assuntos internacionais para fazer isso, e lá estavam vários outros estrangeiros fazendo o mesmo, então acho que foi mais falha deles (de não avisar, já que o formulário é todo em japonês) do que nossa. Ganhei um talãozinho da conta com informações como o saldo (tive que depositar a fortuna de 10 ienes para abrí-la) e o cartão de acesso aos caixas eletrônicos.

O cartão, mostrado abaixo1, é meu “kyasshyu kaado“ (“cash card” falado na maneira “Seu Creyson” de ser dos japoneses) e tem duas coisas interessantes. A primeira é óbvia: meu nome está escrito em katakana, alfabeto japonês para termos/nomes estrangeiros. Esse é meu primeiro cartão plástico com meu nome escrito assim. Alias, dessa vez estou usando meu nome com a pronúncia mais próxima da correta (“dorebesu hoberuto yungu”, ドレベス ホベルト ユング) que da outra vez que vim (quando usei “roberuto”, ロベルト, com “r” fraco, como no inglês “robert”).

A segunda coisa sobre o cartão, mais discreta, é que ele é “mágico”, pois não tem tarja magnética. A explicação é que ele tem um chip de RF, pelo qual se comunica com o terminal. Já estou aprendendo a operar a maquininha, pra fazer meus depósitos, retiradas, e consultar o saldo. O interessante é que ela dá troco: é possível colocar uma nota de 10 mil ienes e depositar só um iene, e a máquina devolve os 9999 ienes restantes em notas e moedas correspondentes.

1 O número da conta foi borrado na foto, por segurança.

quinta-feira, abril 20, 2006

Band Aid que não solta e outras técnicas milenares

Continuando a série de técnicas simples para descascar uma batata ou dobrar uma camiseta de uma só vez, aprenda com o oriente a técnica milenar de colocar Band Aid no dedo de forma que ele não solte!

A lista completa de vídeos da série pode ser encontrada aqui.

segunda-feira, abril 17, 2006

Ovo solitário

Já da outra vez me impressionou a “individualidade” das embalagens japonesas. Se a embalagem não é individual, é de um tamanho pequeno, com absurdamente pouca quantidade do produto. Faz sentido para quem mora sozinho, mas essa explicação não serve sempre. Ao se comprar uma caixa de doces, por exemplo, dentro da caixa maior cada um dos doces também vem embalado individualmente. Completamente anti-ecológico, mas cultural daqui. Faz parte da “cultura de embrulhos”.

Mesmo sabendo disso, não esperava encontrar um ovo solitário. Deve ser para aquelas horas em que comprar dois ou quatro ovos pode ser demais...

Caratê com o Spectroman

Semana passada teve a festa de boas vindas do nosso dormitório. Festa padrão: discurso de autoridades (em japonês, não serviu pra muita coisa), e depois muita comida de graça. Além das autoridades da JASSO, outras pessoas relacionadas ao dormitório estavam presentes. Muita gente conversando, puxando papo, divulgando suas atividades. Um senhor me entregou um folheto sobre aulas de caratê gratuitas todas as segundas-feiras pela manhã na sala de esportes do dormitório.

Não dei muita importância, até que o pessoal comentou comigo:

- Ah, essas são as aulas do Spectroman1...

- Ahn, como assim?

- O sensei é o ator que fazia o papel do Spectroman.

Tá, duvidei, achei que era brincadeira... Mas fui me informar. Não é que era verdade?! O Sr. Tetsuo Narikawa é o ator que fazia o papel de Spectroman. Ele é mestre de caratê e o dojo dele dá aulas no meu dormitório de graça. E lá estava ele passeando de uniforme de caratê (Gi) na minha frente...

Pra quem duvida aí abaixo está a foto do folheto. A foto do Sr. Narikawa atual pode ser vista nesse link.

1Pra quem não sabe, “Spectroman” é um seriado japonês que passava no SBT na década de 80, que pode ser considerado o pai do Jaspion (e um dos filhos do National Kid).

Atualização: Como muita gente ainda visita esta página procurando por Tetsuo Norikawa no Google, acho que devo atualizar aqui. Infelizmente, o Prof. Tetsuo Narikawa faleceu no dia 1º de Janeiro de 2010, vítima de um câncer de pulmão. Nunca conversei com ele, mas o vi em algumas ocasiões depois de ter escrito o post acima. Segundo seus alunos de caratê, ele era uma pessoa muito acessível, sabia da admiração que os brasileiros tem por ele, e era muito grato por isso.

quarta-feira, abril 12, 2006

Dormitório e vizinhança

Como escrevi antes, estou morando em um dormitório da JASSO, chamado Soshigaya International House. O bairro se chama Setagaya, e fica no “subúrbio”, ao sudoeste de Tokyo.

Ser afastado do centro tem um lado ruim. Existem apenas duas estações de trem próximas do dormitório. A primeira fica 20 minutos a pé ao sul, e a outra cerca de meia hora também a pé ao norte. De fato, a segunda já se encontra em outro município, fora de Tokyo, o que mostra o quão afastado do centro é o dormitório. É possível ir de bicicleta pras estações. A mais perto, entretanto, não tem lugar pra deixar a bicicleta, e o estacionamento particular custa 100 ienes (cerca de 0,84USD) por dia. Por enquanto vou indo a pé, então, e ainda não comprei bicicleta.

Quando chegamos ao dormitório, vindo de taxi do aeroporto, lá estavam algumas pessoas nos esperando. Além de uma estudante japonesa (Nozomi, se não me engano) que é uma das “resident assistants” do dormitório (um grupo de japoneses que pode morar no dormitório desde que auxilie os extrangeiros com algumas coisas), havia também o Bogdan, brasileiro, que além de morar no mesmo dorm trabalha no mesmo laboratório (e tem mesmo orientador) que eu, o Leandro, outro brasileiro que mora em Soshigaya, e a Elka, que morou lá mas teve que sair esse ano pois completou os 2 anos pelos quais se pode viver lá.

Ao chegarmos, nos mostraram as coisas básicas do dorm: o banheiro, a cozinha, e os nossos quartos. Exausto, deu tempo apenas de tomar um banho, e ir dormir.

No dia seguinte, primeiro no Japão, acordei de madrugada pela diferença de fuso, e após cerca de duas horas desfazendo as malas e dando uma arrumada geral no quarto, quando já estava claro, resolvi procurar a estação mais próxima. Havia visto no Google Maps a localização do dormitório, e sabia que a estação estava indo-se (um bocado) ao sul. Felizmente nesse dia já havia aparecido o sol, e com isso consegui achar a direção. Caminhei até a estação, encontrei de primeira. Chegando lá, dei uma olhada geral no mapa das linhas para ter uma idéia de onde estava em Tokyo, e de quanto teria que pagar para chegar até a Universidade, e voltei para o dormitório, chegando perto das 7:00.

Na metade da manhã tivemos uma reunião para preencher uns documentos de inscrição no dormitório, e também os formulários do registro de estrangeiros e do serviço público (seguro) de saúde. A guria que é a “resident assistant” nos mostrou as dependências do dormitório. Além da cafeteria na entrada, há uma sala de TV, um estar com jornais do dia (incluindo o Japan Times, em inglês), biblioteca, sala de reuniões, sala com tatami, sala de música (completa com piano, bateria e outros instrumentos) e um grande salão de festas. Do lado de fora há ainda uma quadra de tênis, sala de musculação e uma quadrinha de basquete coberta. Não sei se esses recursos são bem aproveitados, porém.

Terminamos a papelada e o “tour” perto do meio dia e fomos até o correio1 tentar fazer câmbio. Não era muito longe, cerca de metade da distância até a estação, ou seja, uns dez minutos a pé. Voltamos para o dormitório bem a tempo de nos reunirmos para ir ao escritório municipal para fazer a solicitação dos documentos.

Setagaya é um bairro da elite. As ruas são tranqüilas e arborizadas, cheias de casas, grandes para os padrões japoneses. As cerejeiras das ruas, ao chegarmos, estavam completamente floridas, e pode-se dizer que elas não florescem nessa época, elas explodem. Imagine uma árvore onde todas as folhas foram substituídas por flores, e é essa a visão. Quando as flores começam a se desmanchar, as pétalas caem e parece que está nevando, e as ruas ficam cobertas de pétalas que parecem confetti. É uma visão muito linda.

Algumas casas da vizinhança são do tamanho de casas de classe média em Porto Alegre, o que mostra o quão ricas as pessoas são por aqui. Nas garagens, sempre mais de um carro, geralmente sendo um deles um Mercedes, Audi ou BMW. Alguns Porsches e Jaguars também. Fico imaginando o custo do terreno onde o dormitório foi construído.

Algumas pessoas (principalmente senhoras) dessa vizinhança fazem parte da SIFA (Soshigaya International Friendship Association), que tentam nos dar alguma assistência, além de preparar alguns eventos sociais, como festas de recepção. Foram senhoras da SIFA que nos acompanharam até o escritório municipal para tirarmos os documentos. Elas falam inglês, e acredito que se envolvam com a SIFA também para ter a oportunidade de praticar. Como a Elka comentou, elas sabem todos os “esquemas” daqui, nos ajudam com a burocracia, e conhecem todo mundo. Além disso, oferecem aulas de japonês gratuitas para os interessados. São realmente uma grande ajuda.

Voltando ao dormitório, é realmente uma torre de babel. Tem gente de toda parte. América do Sul, Central e do Norte, Europa. Ásia, África, Oriente Médio. Claro, os grupos vão se formando, mas no geral se conversa com todo mundo. Essa parece ser uma vantagem desse dormitório: como existem vários lugares de convívio, as pessoas acabam se conhecendo melhor. No outro dormitório, Komaba, dizem, as pessoas acabam não interagindo muito, pois os quartos são mais completos (com chuveiro e fogareiro) e as áreas comuns mais limitadas.

Falando em Komaba, que é um dormitório do lado de onde vou trabalhar e poderia morar, uma questão que todos levantaram é que ninguém, praticamente, parece morar perto do lugar onde estuda e trabalha. Primeiro brincou-se que a explicação era que o governo japonês quer que reinjetemos o capital na economia, gastando pequenas fortunas no sistema de transporte, mas depois ouvi uma explicação mais plausível. Segundo ela, a localização dos estudantes foi feita de modo que na média todos morassem à mesma distância de suas universidades, evitando que uns morassem do outro lado da rua, mas que outros levassem 3 horas dentro de trens. Me lembrei de uma técnica chamada TCS (travel cost sharing) usada nas conferências da AIESEC, que é bastante parecida.

Sobre meu dormitório e vizinhança acho que é isso. Claro que há mais o que contar, mas não quero deixar isso aqui detalhista em excesso, e o mais importante está aí.

1O correio no Japão há anos realiza serviços de banco, o que é meio surprendente pra nós, que temos “banco postal” há poucos anos. Mais que isso, o correio do Japão possui o maior sistema de cadernetas de poupança do mundo, com mais de 2,1 trilhões de dólares. É uma das poucas instituições públicas daqui que resistiu a corrida das privatizações dos anos 80, que acabou com o monopólio estatal dos trens e das telecomunicações. O atual primeiro ministro Junichiro Koizumi (小泉純一郎), entretanto, elegeu-se com o plano de privatizar o correio, e após ter sua proposta derrotada pelo congresso (dieta), dissolveu o mesmo e decretou novas eleições, tendo obtido finalmente a maioria que deve dar continuidade ao processo. Isso mostra a importância do correio como instituição aqui.

sexta-feira, abril 07, 2006

Tranquility base here, the eagle has landed...

São 4:14 da manhã. Deveria estar dormindo, tenho encontro com meu orientador hoje às 9:00. Mas não dá, eu volto pra cama e não tenho a menor vontade/capacidade de dormir. Vou aproveitar, então, pra relatar um pouco da viagem e da chegada. Se estiver com sono ao terminar é sinal de que o texto ficou bastante cansativo. ;)

Saí de Porto Alegre na segunda-feira às 14:00, mas fiz o embarque antes, às 13:25. Ao aeroporto foram meus pais, irmã, padrasto, avó e a minha “babá”, que hoje é ajudante da vó, e de quem gosto muito. O clima foi triste, como esperado, e a choradeira teria sido ainda maior se ficasse me enrolando mais para embarcar. O pior não é a despedida, pois despedidas estão sempre acontecendo. O pior é não ter uma data certa de retorno, pois a volta depende de uma porção de coisas.

O que quebrou um pouco o clima de tristeza foi o comentário da minha avó. Segundo minha irmã, após embarcar, minha mãe ficou olhando para dentro das paredes de vidro do embarque tentando ver onde eu estava. Minha avó, vendo isso, e sob influência do Alzheimer que tem, perguntou quem minha mãe estava procurando, e ao minha irmã responder que era eu, que havia ido para o Japão, disse:

- Ora, se ele foi para o Japão, não adianta procurar!

Nada como a sabedoria crua de alguém cujo raciocínio também está mais cru do que nunca. Completando o pensamento, depois, ela já encontrou uma solução para o problema, e conversando com a babá, já decidiu:

- Podemos pedir dinheiro para a filha e pegar um ônibus, para ir um dia lá almoçar com ele.

Enfim. Voei pra São Paulo e, sendo um dos primeiros bolsistas que lá chegou, fiquei no aguardo do pessoal que vinha de Florianópolis e que já conhecia de um almoço organizado pelo consulado. Quando a Bianca e o Ronan chegaram, fomos comer alguma coisa (um último McCalabresa, com certeza) e terminando fomos fazer o check-in de transferência da Air Canada. Na fila do check-in, já encontramos alguns outros bolsistas do Brasil que conhecia da lista, do orkut e da dinâmica externa que participei em São Paulo, em Janeiro. Reencontrando essa gente que estava no mesmo clima que eu, a tristeza por estar indo embora desapareceu. Estávamos mais empolgados com o que estava por vir.

O atendente de check-in da Air Canada não ajudou muito. Além de me colocar no lugar errado no vôo (que depois foi corrigido com uma troca de assento), nos informou que deveriamos pegar as bagagens em Toronto e Vancouver, e lá fazer check-in completo da JAL. Além disso, colocou terrorismo e disse para embarcarmos duas horas antes da partida, porque segundo ele estava demorando muito a verificação de segurança. Com isso, não encontrei o pessoal de SP que foi ao aeroporto se despedir dos bolsistas, pois o pessoal chegou logo depois de passarmos pela segurança. Fiquei muito chateado com isso.

O vôo para Toronto foi normal. Chegando lá, porém, ao retirar minha bagagem para fazer alfândega, reparei que um potinho com moedas de vários países que levava junto aos meus sapatos, havia sumido. Queria alguns dólares canadenses para alugar um carrinho de malas. Achei que só isso havia desaparecido, mas mais tarde descobri que foi ainda mais. Além das moedas, sumiram meu canivete suiço, um cartão SD de 512MB e o leitor, além dos adaptadores de vídeo do notebook, e a capinha de neoprene do meu mouse “surfista”. Fiquei bem chateado, mas pelo menos tudo é substituível.

Os bolsistas se dividiram no vôo Toronto-Vancouver. A maioria foi num primeiro vôo às 9 horas, mas eu e mais dois fomos uma hora mais tarde. Com isso, chegamos a Vancouver bastante em cima do vôo para Tokyo (Narita). A chegada era prevista para às 11:57. Chegamos na verdade às 11:46, mas não podemos desembarcar porque um avião estava em nosso portão, até as 12:05. Devido a isso, tivemos que correr para pegar o vôo que saía as 13:05. Por causa do que o atendente da Air Canada de São Paulo havia dito, achei que teríamos que pegar bagagens e fazer segurança em menos de uma hora, mas felizmente ele não tinha idéia do que estava falando. As malas foram repassadas entre as companhias, e não tivemos que fazer desembarque, apenas correr entre os portões. Chegamos a ser chamados no sistema de som do aeroporto, mas nessa hora já estavamos a caminho do portão. Chegamos a tempo.

No portão já o primeiro “sentimento de Japão”. Centenas de jovens japoneses de escola, voltando de uma excursão ao Canadá. Além desses, diversas outras pessoas, um mar de gente. O Boeing 747 (Jumbo) parecia pequeno para tanta gente, e fiquei pensando no desafio que será embarcar um Airbus A380, avião ainda maior que está sendo lançado.

No avião, a maioria dos bolsista foi no deck superior, mas fui no andar de baixo, pois havia ligado para JAL para reservar um assento de corredor. Gostaria de ter viajado no andar de cima, mas pelo menos dei uma subida para ver como era lá em cima e conversar com alguns outros bolsistas. Achei bem bacana. Como alguém comentou, parecia um “lounge” particular. O barulho é menor, mas pareceu balançar mais, talvez pela estrutura do avião, talvez apenas por termos entrado em uma turbulência no momento em que subi.

Trinta e seis horas depois de sair de Porto Alegre chegamos a Tokyo. A imigração foi tranqüila, apenas as nossas bagagens demoraram a chegar, mas considerando o número de passageiros do vôo, é admissível. A felicidade de ver minhas duas malas foi grande. Passamos pela alfândega e no lobby nos esperavam duas moças da JASSO, a organização de assistência a estudantes estrangeiros no Japão. Depois encontramos outros funcionários, com nível variado de inglês. As mesmas pessoas nos perguntavam diversas vezes para onde íamos, era claro para nós que elas nos achavam todos iguais. Uma moça, entre as perguntas, tentava nos dizer para esperar. Dava para ver que ela estava bastante nervosa, ao que dizíamos para ela “dayjoubu desu” (está tudo bem, sem problemas). Como comentei com outros bolsistas, a idéia aqui no Japão é que a gente realmente não sabe o que está acontecendo, mas se pode confiar nos japoneses que dá tudo certo.

Os funcionários pediram para esperarmos um pouco, depois fomos classificados por destino (alguns ainda teriam que viajar a partir de Tokyo para outras cidades), e em seguida entregamos nossos bilhetes aéreos e recebemos a ajuda de instalação (~250USD). Fomos colocados em taxis e enviados aos dormitórios.

A viagem de Narita até Tokyo é longa, cerca de 60km para oeste. Para complicar, meu dormitório é quase na fronteira oeste de Tokyo, então ainda tivemos que atravessar a cidade. O taxi levou cerca de 1:30 e dividi a corrida com o Marcelo, bolsista de BH que está morando no mesmo dormitório que eu. O tempo estava chuvoso e frio (uns 9 graus), e a paisagem não muito bonita. Além disso, o cansaço pela viagem e pelo fuso, e ao chegar em Tokyo dei uma cochilada1. Para se ter uma idéia da distância, o custo do taxi foi de uns 120 dólares, felizmente pagos pela JASSO.

Tem ainda bastante o que escrever sobre o dormitório e a universidade, mas fica para outro post.

1A cochilada começou logo após passarmos justamente pela ponte da foto do post anterior, a partir de onde encontramos o trânsito mais engarrafado.

quarta-feira, março 29, 2006

Assinaturas

Como aprendi na outra viagem, muita gente não tem saco de ficar lendo blog e prefere receber os relatos por email. Por esse motivo, adicionei um serviço de assinaturas pra esse blog. É só digitar o endereço de email na caixinha ali à direita e clicar "Assinar". Quando houver um novo post ele será enviado por email. Simples.

Ainda estou testando o serviço. Na página diz que ele envia um mail todo dia com os novos posts, mas a minha dúvida é se ele manda o mail mesmo que não haja post. Se enviar, fica meio chato. Bom, me inscrevi de cobaia do serviço, assinando meu próprio blog, e inclusive este será o primeiro post que deve ser enviado para o meu email. Se não ficar satisfeito com o serviço, retiro o link de assinatura ali do lado, e procuro outro.

segunda-feira, março 27, 2006

Luzes cegantes

Deve-se pelo menos questionar uma lista das 15 vistas urbanas mais bonitas do mundo que, ao escolher uma cidade brasileira, coloque São Paulo ao invés do Rio de Janeiro. Mesmo assim, vale o link, que talvez explique o título deste blog (na quinta colocação).

Na verdade, a idéia de criar o blog surgiu perto da data do show da turnê Vertigo da banda U2, que assisti em Buenos Aires. Precisava um nome para ele, e ouvindo a música “Where the Streets Have No Name” veio o primeiro insight. No Japão, a grande maioria das ruas não tem nome, e os endereços são dados de uma forma hierárquica que divide as cidades em zonas, as zonas em quarteirões, e os quarteirões em prédios, de acordo com a ordem em que foram construídos.

Essa música, porém, é muito conhecida e queria um nome não tão popular. “City of Blinding Lights” foi a música de abertura do show, e Tokyo é, também, uma cidade de luzes cegantes, mais que qualquer outra no Japão. E onde estarei morando.

sábado, março 25, 2006

Atualizações…

O post de hoje é só um apanhado geral dos preparativos.

Já estou com minha passagem e o visto pro Canadá. O talão do ticket da passagem é tão magrinho, claro, nunca tinha tido uma passagem só de ida. A parte “burocrática” já está resolvida. Simplisticamente, é só eu aparecer no aeroporto dia 3 e entrar naquele avião.

Terminei o último trabalho que realizava por aqui. Os laços vão se desfazendo, uma coisa a menos que me prende. Entreguei a revisão técnica nessa sexta, fiquei satisfeito com o resultado. Infelizmente, só me pagam na próxima quinta-feira, e contava com esse dinheiro pra comprar mais uns presentes de viagem. Sem problemas: a mãe vai me emprestar dinheiro por essa semana.

Segunda-feira liberei meu armário na UFRGS. Na verdade, já estava quase vazio, apenas tirei o cadeado e o papelzinho que identificava o “proprietário”. Dizia: “Roberto Jung Drebes <drebes@aton.inf.ufrgs.br>”. Esse “aton” no email entrega que tomei posse dele lá por 1998, quando aluno de graduação não tinha email no domíno “@inf.ufrgs.br”, a menos que tivesse bolsa de iniciação científica no Instituto. Não bateu depressão ou sentimento algum. Talvez por já antes ter esvaziado o armário e me livrado de outras tralhas que tinha por lá.

Semana passada, visitei meu ex-professor de japonês. Ele sabia que eu tinha conseguido a bolsa, havia contado quando saiu o resultado preliminar. Dessa vez fui lá contar as novidades sobre o resultado final, além de comprar uma apostila do nível 3, e me despedir, claro. Não sei como vai ser o material de ensino de japonês lá: se vai ser tudo em japonês, com explicações em inglês, ou em português (duvido). Como já conheço o estilo do curso daqui (com explicações em português), em que dedicando-se, aprende-se, achei melhor levar pelo menos as apostilas dos 3 primeiros níveis. O sensei continua o cara legal de sempre, mas parecia mais abatido, quieto. Me contou que voltou faz pouco do Japão, passou uns meses em sua cidade natal com a mãe, que faleceu. Pra piorar, sua esposa continua mal de saúde, não mostrando sinais de melhora. Difícil manter o alto astral assim. Com isso, qualquer um se abala. Sei que é difícil, mas espero que ele se recupere, pois do jeito que está é uma lástima. Pelo menos peguei o email dele. Vou mandar notícias de vez em quando e acho que me ver progredindo no japonês deve fazê-lo um pouco mais feliz.

Comecei a preparar as malas. Na verdade, uma mala e uma mochila de viagem. Não devo chegar perto da franquia de bagagem, então tenho aproveitado pra levar o que chamo de “kit saudade”: coisas que me lembram bons momentos e pessoas por aqui. Presentes de amigos, postais, cartas e cartões que recebi. Roupas de inverno e sociais já estão embaladas, ficam faltando as de verão, livros, presentes de viagem e outras coisas menos importantes.

Nesses últimos meses, cada vez mais vejo que pessoas aparecem, e não é que não sejam as pessoas certas, mas o momento é que não é certo.

Por hora, é isso.

terça-feira, março 21, 2006

Longa viagem

Amanhã devo ir à Varig buscar minha passagem.

SERVICO        DE                  PARA                   PARTIDA CHEGADA
-------------- ------------------- --------------------- -------- -------
VARIG - RG 2111
SEG 03APR      PORTO ALEGRE RS     SAO PAULO SP           1400     1530
               SALGADO FIL         GUARULHOS INTL
SEM ESCALA                         TERMINAL 2             DURACAO  1:30
                                                       NAO FUMANTE
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA
               A BORDO: LANCHE
               EQP:BOEING 737-400
 
 
AIR CANADA - AC 91
SEG 03APR      SAO PAULO BR        TORONTO CA             2130     0700
               GUARULHOS INTL      PEARSON INTL                    04APR
               TERMINAL 2          TERMINAL 1
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA           DURACAO  10:30
 
 
AIR CANADA - AC 105
TER 04APR      TORONTO CA          VANCOUVER CA           1000     1157
               PEARSON INTL        INTL
               TERMINAL 1          TERMINAL M             DURACAO  4:57
               RESERVA CONFIRMADA   H ECONOMICA
 
 
JAPAN AIRLINES INTL - JL 17
TER 04APR      VANCOUVER CA        TOKYO JP               1305     1450
               INTL                NARITA                          05APR
               TERMINAL M          TERMINAL 2
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA           DURACAO  9:45

quinta-feira, março 16, 2006

Vestibulando?

Eu posso ter feito graduação, mestrado, e agora estar tentando doutorado no Japão, mas minha mãe insiste em, toda quarta-feira, deixar o caderno de vestibular do jornal no meu quarto.

Essa é uma das coisas que eu não vou sentir saudades. :P

quarta-feira, março 15, 2006

Curso de japonês

Recebi um mail da secretária do chefe. A Setsuko1, alias, é quem tem me dado uma mão com vários assuntos, como achar o dormitório e me inscrever no curso de japonês. Era sobre isso o mail. Ela queria saber qual das duas opções eu estava interessado: fazer o curso intensivos, com 4 a 6 horas diárias e aulas todos os dias da semana, ou o curso “light”, três vezes por semana com uma hora e meia por dia. O primeiro parece que normalmente tem menos alunos por turma, e muito mais tarefas pra se fazer.

Além de realmente achar que com meu nível de japonês (leia-se, muito básico) é melhor eu fazer o curso intensivo, essa também é a recomendação do chefe. Então acho que está decidido. Japonês 6 horas por dia, todo dia da semana. :)

As turmas desse nível em geral tem de quatro a dez alunos, mas, segundo a Setsuko, o número de estudantes aceitos na Universidade de Tokyo esse ano é maior que 100, quase o dobro do normal. Portanto, as aulas de japonês estarão mais cheias. Espero que isso não seja um problema.

1 Deixando claro desde já, porque essa também foi uma dúvida no primeiro contato que tive com japoneses: o nome terminado em “o” leva a pensar que é um homem, mas nomes japoneses terminados em “ko”, como a Ayako, do consulado, sempre são mulheres. O kanji “ko” (子) significa filho, mas geralmente (sempre?) é usado pra se referenciar a filhos do sexo feminino, isto é, filhas.

Visto pro Japão, e o “documento muito importante nº 2”

Hoje fui ao consulado buscar meu visto pro Japão. Não posso dizer que estou com ele na mão, pois logo após recebê-lo já aproveitei pra solicitar via despachante o visto de trânsito do Canadá. Então lá foi pra São Paulo meu passaporte, que deve voltar semana que vem “duplamente visado” se tudo der certo.

Mas hoje já teve uma situação que me lembrou o estranhamento com a língua. Junto com o passaporte, a Ayako me entregou um documento com todas as informações da minha bolsa: nome da Universidade, do departamento, do orientador, datas, etc. Tem também um número de bolsista, que devo decorar, mas isso não é problema porque ele é tão simples que na primeira olhada já guardei. E ela me disse: “guarde esse documento, ele é muito importante!” Só que como ele está todo em japonês, com exceção dos nomes, eu não sei o que ele realmente é, ou como se chama. Tem uns kanjis no topo, é alguma coisa número 2, o que não ajuda muito. Conseqüentemente, não tenho como me referenciar a ele se não pelo “documento muito importante”. São com esses detalhes e situações que é bom ir se acostumando.

“Me ofereceram Buda, Krishna, Cristo
Um coração, um ombro, a mão
Um visto pro Japão”

-- Nei Lisboa, Teletransporte nº 4

domingo, março 12, 2006

A história até esse ponto

Tem gente que tem fixação pelo Japão. Desde pequeninho. De gostar de desenhos japoneses, música japonesa, filmes, videogames. Tudo que tiver o discreto “made in Japan” tem uma aura toda especial pra essa gente.

Mas não é meu caso. Não cresci com esse encanto pelo Japão. Tinha interesse, claro, por ser um lugar diferente e um povo estranho, mas não a fascinação que muitos tem. Gostava de documentários sobre o Japão, mas nunca gostei de seriados japoneses. Achava besta o Ultraman e o Spectroman, e só gostava das lutas porque eram muito toscas as cidades de isopor destruídas pelos monstros, e os fios de nylon que sustentavam os aviões no ar revelando a precariedade da produção. Quando meus coleguinhas estavam brincando de “Jaspion” eu dava um tempo e ia fazer outra coisa. Desenho pra mim era da Hanna Barbera, música boa era feita pelos conjuntos infantis dos anos 80. O meu interesse por videogame sempre foi muito mais técnico, pela qualidade e criatividade dos gráficos, do que pelo mundo da fantasia e dos personagens criados. Preferia assistir alguém jogando do que jogar eu mesmo. Assim podia observar a parte técnica sem ter que me preocupar em ser “morto” por vilões ou outros seres malígnos. :P

Então, o que me fez aceitar o desafio de passar alguns anos nesse lugar que alguns consideram “um outro mundo”? Como é que eu vou parar no Japão?

Em 1993 fiz um intercâmbio curto, durante apenas um mês, nos EUA. Era muito piá, tinha 15 anos. Mas senti que a experiência fora, por mais curta que tenha sido, me mudou profundamente. Voltei sendo a “versão 2.0” de mim. Vi que o mundo, mesmo nos lugares mais parecidos com a nossa casa, é muito diferente, tem muita coisa pra se ver e tentar entender. Meu inglês melhorou muito, e me abriu portas pra conhecer pessoas e coisas que não imaginava que existiam. Me senti mais capaz de fazer as coisas por mim mesmo. Ser o responsável pelo meu caminho. E voltei.

Voltando entrei na antiga rotina, colégio, poucos mas bons amigos. Muita TV, e muito interesse pelas coisas, mas agora com a consciência de que um dia poderia conhecê-las de verdade e não apenas por relatos de outras pessoas. Entrei na faculdade, e a rotina continuou, apesar de sofrer algumas pequenas mudanças. Até que um amigo me comentou sobre uma organização chamada AIESEC. A AIESEC é uma organização de estudantes que promove estágios profissionais no exterior. Era tudo que eu sabia da organização. Não sabia o porquê, não sabia como era o processo seletivo, não sabia para onde poderia ir. Mas conhecia algumas pessoas que já haviam ido, e todas me disseram que havia sido uma grande experiência. Nesse ponto não pensava em ter outra experiência no exterior, mas sem pensar muito, me inscrevi para a seleção, no último dia, à tarde.

Resumindo a história, fiz a seleção e passei. Entrei em uma base de dados com os estudantes escolhidos e com os estágios disponíveis, e comecei a procurar um estágio pra mim em algum lugar. O processo não é simples, o sistema te exibe estágios possíveis, de acordo com tuas habilidades, mas muitos desses vão acabar sendo preenchidos por outras pessoas, ou simplesmente o responsável acha que tu não te encaixas no perfil buscado. Mesmo assim, entre as primeiras possibilidades já apareceu um estágio no Japão. Lembro que ao aparecer achei aquilo curioso: pensei “puxa, esse esquema realmente é mundial”. Mas parou por aí. “Japão é um lugar muito diferente. Não me adaptaria com a cultura, com a língua, com a alimentação”. E coloquei a idéia de lado, voltei a procurar estágios em países mais “convencionais”, como Espanha, Inglaterra, Hungria, Canadá.

A cada possibilidade de estágio, ía lendo tudo a respeito dos países. Devorava páginas na Internet pra saber como eram as pessoas, a vida nas cidades, clima, esse tipo de coisa. E não lembro por que cargas d'água, talvez por já estar no clima de fazer pesquisa, comecei a procurar sobre o Japão.

Este foi o momento crítico.

Quanto mais lia sobre o Japão e o povo japones, mais me convencia que era para lá, sim, que eu deveria ir. Que com os desafios que lá eu encontrasse aprenderia muito, repensaria várias coisas, e poderia voltar numa “versão 3.0”, enquanto em países mais convencionais chegaria no máximo a “2.5”. :) Mais, vi que apesar de não me identificar com a cultura superficial do Japão, aquela que chega até nós pela comunicação de massa, me identificava com os valores fundamentas de convívio da sociedade japonesa. E com isso me sentiria a vontade. “Se tua alma não é estranha a ti, o mundo todo é a tua casa.” foi uma das frases que encontrei quando pesquisava sobre a vida no Japão, em uma página de um casal de missionários que por alguns anos lá viveu. E tudo fez sentido.

Continuei a busca genérica por estágios, mas quando alguma possibilidade de estagiar no Japão aparecia, tentava responder o mais rápido possível para aumentar minhas chances de seleção. Outros estágios foram “falhando”, mas, finalmente, recebi a resposta de que havia sido aceito em um estágio em Quioto. Tenho uma página sobre tudo que lá vivi, não vale a pena aqui repetir. O que vale a pena é colocar um link para um “ensaio” que me foi pedido e usado na seleção, abordando os seguintes tópicos:

  • Why do you want to take part in AIESEC internship?
  • Why do you want to work in Japan?
  • Why do you want to work at Horiba Company?
  • How do you put your internship experience to practical use in your life?

Esse texto mostra bem a minha motivação e sentimento na época.

Em 2003, 10 anos após minha primeira experiência no exterior, chegava ao Japão. E como foi minha experiência? Não digo que foi tudo e mais do que esperava. Quando estamos prestes a viajar idealizamos várias coisas, fantasiamos e às vezes saímos da realidade. O Japão real foi diferente, mas não menos impressionante e proveitoso. Da viagem guardo só recordações positivas. Da AIESEC guardo grandes amigos, tanto no Brasil quanto no Japão. Os objetivos foram alcançados plenamente, e o país e as pessoas guardo em um lugar especial. Regressando, após a adaptação reversa, começaram alguns planos de retorno, nada muito definitivo, mas isso fica para um post futuro...

sábado, março 11, 2006

Almoço e reunião no consulado

Na última terça-feira tivemos um almoço com o consul e uma reunião no consulado. O almoço foi bacana, além do Koji e da Bianca, os outros dois bolsistas que já conhecia, teve também a presença de outros dois de Florianópolis. O pessoal pareceu gente boa, acho que a escolha do consulado foi bem feita. ;) Por parte do consulado, teve a presença do consul-adjunto Kimura e da Ayako, a moça responsável pelo setor de bolsas.

Almoçamos no Gokan, um dos melhores restaurantes japoneses aqui de Porto Alegre. Foi divertido, um clima bem descontraído. Conversamos sobre para onde cada um de nós irá, fizemos mais algumas perguntas à Ayako. A dupla do consulado é muito simpática, o que está de acordo com a opinião que tenho dos japoneses. Combinamos, entre os bolsistas, de levar presentes pro consul e pra Ayako, não só por estarem nos recebendo num bom restaurante japonês, também por todo trabalho e auxílio na seleção pras bolsas. Acho que os presentes foram bem recebidos. Comemos sushi, sashimi. A sobremesa, só, um mousse de chocolate super doce, foi intratável pela Ayako: “Se eu comer tão doce eu durmo de tarde”, diz ela. :)

À tarde, então, tivemos a reunião no consulado, com o mesmo grupo e mais dois ex-bolsistas. Acho que eles passaram uma idéia realista de como são o Japão e, mais importante, os japoneses, e de como eles se comportam frente a ti. Deram sugestões de formas de encarar os desafios, e contaram histórias divertidas e interessantes da vivência deles por lá. Contaram a história de outro bolsista que não encarou muito bem a experiência, teve a mente fechada, e como isso trouxe complicações pra ele e pras pessoas que com ele conviviam. Mas acho que não corremos esse risco. Tive um bom sentimento do nosso grupo.

Pra terminar, recebemos a confirmação da passagem, com horários e números de vôo, e a carta para solicitar o visto de trânsito no Canadá. A coisa se torna cada vez mais concreto.

sábado, março 04, 2006

Um mês de despedidas

Recebi a notícia hoje: embarco no dia 3 de abril. O que dá exatamente um mês até a minha partida. A maioria das coisas relativas a viagem já estão prontas ou preparadas, falta ainda comprar alguns presentes e, o mais importante, reencontrar uma porção de gente pra se despedir e dizer algumas coisas importantes.

A notícia de ontem foi a confirmação de onde vou ficar: no dormitório da JASSO em Soshigaya. O lado bom da notícia é que parece ser um lugar legal, mais pra fora da cidade e conseqüentemente mais tranqüilo. Vai ser legal, a correria de Tóquio e o excesso de gente era uma das coisas que não me deixavam muito à vontade. Saber que vou ter um lugar um pouco diferente pra fugir da correria me conforta. Por outro lado, claro, vou ter que encarar um bom tempo de viagem até a Universidade, todo dia. Mas isso não é problema. Sempre gostei de andar de trem no Japão, e vou poder aproveitar o tempo pra ler, ou ouvir música, e observar as pessoas. ;)

ps: Está cortada a fita inaugural desse blog.