sexta-feira, abril 07, 2006

Tranquility base here, the eagle has landed...

São 4:14 da manhã. Deveria estar dormindo, tenho encontro com meu orientador hoje às 9:00. Mas não dá, eu volto pra cama e não tenho a menor vontade/capacidade de dormir. Vou aproveitar, então, pra relatar um pouco da viagem e da chegada. Se estiver com sono ao terminar é sinal de que o texto ficou bastante cansativo. ;)

Saí de Porto Alegre na segunda-feira às 14:00, mas fiz o embarque antes, às 13:25. Ao aeroporto foram meus pais, irmã, padrasto, avó e a minha “babá”, que hoje é ajudante da vó, e de quem gosto muito. O clima foi triste, como esperado, e a choradeira teria sido ainda maior se ficasse me enrolando mais para embarcar. O pior não é a despedida, pois despedidas estão sempre acontecendo. O pior é não ter uma data certa de retorno, pois a volta depende de uma porção de coisas.

O que quebrou um pouco o clima de tristeza foi o comentário da minha avó. Segundo minha irmã, após embarcar, minha mãe ficou olhando para dentro das paredes de vidro do embarque tentando ver onde eu estava. Minha avó, vendo isso, e sob influência do Alzheimer que tem, perguntou quem minha mãe estava procurando, e ao minha irmã responder que era eu, que havia ido para o Japão, disse:

- Ora, se ele foi para o Japão, não adianta procurar!

Nada como a sabedoria crua de alguém cujo raciocínio também está mais cru do que nunca. Completando o pensamento, depois, ela já encontrou uma solução para o problema, e conversando com a babá, já decidiu:

- Podemos pedir dinheiro para a filha e pegar um ônibus, para ir um dia lá almoçar com ele.

Enfim. Voei pra São Paulo e, sendo um dos primeiros bolsistas que lá chegou, fiquei no aguardo do pessoal que vinha de Florianópolis e que já conhecia de um almoço organizado pelo consulado. Quando a Bianca e o Ronan chegaram, fomos comer alguma coisa (um último McCalabresa, com certeza) e terminando fomos fazer o check-in de transferência da Air Canada. Na fila do check-in, já encontramos alguns outros bolsistas do Brasil que conhecia da lista, do orkut e da dinâmica externa que participei em São Paulo, em Janeiro. Reencontrando essa gente que estava no mesmo clima que eu, a tristeza por estar indo embora desapareceu. Estávamos mais empolgados com o que estava por vir.

O atendente de check-in da Air Canada não ajudou muito. Além de me colocar no lugar errado no vôo (que depois foi corrigido com uma troca de assento), nos informou que deveriamos pegar as bagagens em Toronto e Vancouver, e lá fazer check-in completo da JAL. Além disso, colocou terrorismo e disse para embarcarmos duas horas antes da partida, porque segundo ele estava demorando muito a verificação de segurança. Com isso, não encontrei o pessoal de SP que foi ao aeroporto se despedir dos bolsistas, pois o pessoal chegou logo depois de passarmos pela segurança. Fiquei muito chateado com isso.

O vôo para Toronto foi normal. Chegando lá, porém, ao retirar minha bagagem para fazer alfândega, reparei que um potinho com moedas de vários países que levava junto aos meus sapatos, havia sumido. Queria alguns dólares canadenses para alugar um carrinho de malas. Achei que só isso havia desaparecido, mas mais tarde descobri que foi ainda mais. Além das moedas, sumiram meu canivete suiço, um cartão SD de 512MB e o leitor, além dos adaptadores de vídeo do notebook, e a capinha de neoprene do meu mouse “surfista”. Fiquei bem chateado, mas pelo menos tudo é substituível.

Os bolsistas se dividiram no vôo Toronto-Vancouver. A maioria foi num primeiro vôo às 9 horas, mas eu e mais dois fomos uma hora mais tarde. Com isso, chegamos a Vancouver bastante em cima do vôo para Tokyo (Narita). A chegada era prevista para às 11:57. Chegamos na verdade às 11:46, mas não podemos desembarcar porque um avião estava em nosso portão, até as 12:05. Devido a isso, tivemos que correr para pegar o vôo que saía as 13:05. Por causa do que o atendente da Air Canada de São Paulo havia dito, achei que teríamos que pegar bagagens e fazer segurança em menos de uma hora, mas felizmente ele não tinha idéia do que estava falando. As malas foram repassadas entre as companhias, e não tivemos que fazer desembarque, apenas correr entre os portões. Chegamos a ser chamados no sistema de som do aeroporto, mas nessa hora já estavamos a caminho do portão. Chegamos a tempo.

No portão já o primeiro “sentimento de Japão”. Centenas de jovens japoneses de escola, voltando de uma excursão ao Canadá. Além desses, diversas outras pessoas, um mar de gente. O Boeing 747 (Jumbo) parecia pequeno para tanta gente, e fiquei pensando no desafio que será embarcar um Airbus A380, avião ainda maior que está sendo lançado.

No avião, a maioria dos bolsista foi no deck superior, mas fui no andar de baixo, pois havia ligado para JAL para reservar um assento de corredor. Gostaria de ter viajado no andar de cima, mas pelo menos dei uma subida para ver como era lá em cima e conversar com alguns outros bolsistas. Achei bem bacana. Como alguém comentou, parecia um “lounge” particular. O barulho é menor, mas pareceu balançar mais, talvez pela estrutura do avião, talvez apenas por termos entrado em uma turbulência no momento em que subi.

Trinta e seis horas depois de sair de Porto Alegre chegamos a Tokyo. A imigração foi tranqüila, apenas as nossas bagagens demoraram a chegar, mas considerando o número de passageiros do vôo, é admissível. A felicidade de ver minhas duas malas foi grande. Passamos pela alfândega e no lobby nos esperavam duas moças da JASSO, a organização de assistência a estudantes estrangeiros no Japão. Depois encontramos outros funcionários, com nível variado de inglês. As mesmas pessoas nos perguntavam diversas vezes para onde íamos, era claro para nós que elas nos achavam todos iguais. Uma moça, entre as perguntas, tentava nos dizer para esperar. Dava para ver que ela estava bastante nervosa, ao que dizíamos para ela “dayjoubu desu” (está tudo bem, sem problemas). Como comentei com outros bolsistas, a idéia aqui no Japão é que a gente realmente não sabe o que está acontecendo, mas se pode confiar nos japoneses que dá tudo certo.

Os funcionários pediram para esperarmos um pouco, depois fomos classificados por destino (alguns ainda teriam que viajar a partir de Tokyo para outras cidades), e em seguida entregamos nossos bilhetes aéreos e recebemos a ajuda de instalação (~250USD). Fomos colocados em taxis e enviados aos dormitórios.

A viagem de Narita até Tokyo é longa, cerca de 60km para oeste. Para complicar, meu dormitório é quase na fronteira oeste de Tokyo, então ainda tivemos que atravessar a cidade. O taxi levou cerca de 1:30 e dividi a corrida com o Marcelo, bolsista de BH que está morando no mesmo dormitório que eu. O tempo estava chuvoso e frio (uns 9 graus), e a paisagem não muito bonita. Além disso, o cansaço pela viagem e pelo fuso, e ao chegar em Tokyo dei uma cochilada1. Para se ter uma idéia da distância, o custo do taxi foi de uns 120 dólares, felizmente pagos pela JASSO.

Tem ainda bastante o que escrever sobre o dormitório e a universidade, mas fica para outro post.

1A cochilada começou logo após passarmos justamente pela ponte da foto do post anterior, a partir de onde encontramos o trânsito mais engarrafado.

14 comentários:

Marilia Melo disse...

nossa, vc coloca mtos detalhes!!! eu tmb tenho, mas qnd estou escrevendo nao consigo lembrar hehhehe
bem, fale com o claus para nos encontramos amaanha ok?
bjus

Mity disse...

Oi amigo!

Que legal que ocorreu tudo bem! Nossa, é muito legal ouvir já no comecinho as tuas impressões daí. Mas me conta, não conseguiste dormir por causa do fuso ou de ansiedade mesmo? Já estou com saudades da tua companhia. Um abração

Kaqui disse...

Bah, cansei só de ler sobre as 36 horas de viagem MAIS a corrida de táxi.
Como é que tu conseguiu ainda ligar o PC antes de cair podre de cansado pra dormir? :)

Macinha disse...

Oi Drebes!!!!
tô curtindo mto ler as suas novidades aqui no seu flog viu!!! espero que não se incomode com minhas visitas!!!

E olha, foi uma pena mesmo que eu e a Maki não conseguimos encontrar vcs pra dar tchau no aeroporto!!!!

Vou aguardar novas notícias!!!
Se cuida!!
E gambatte kudasai no nihongô intensivão hein!!!!rsrsrs!!!(aproveita e vai passando umas lições pra mim!!!!)
bjos!

Maki disse...

Dorebesu!
Muito legal ler notícias suas!
Dá pra se ter uma idéia de como está sendo a vida aí...
Aguardo mais postagens!!
bjo e sucesso!
Maki

Nise disse...

Mas me diga, nao vais fazer reclamacao na companhia aerea?
E temos que nos conhecer!
Denise, irma da Bianca, sempai da Marilia :P

Thaisinha disse...

Grande Drebisss Joseeee...

Vc ainda vai virar um jornalista, ou entao te prepara pra escrever teu primeiro livro!!! Legal teus relatos, assim dah pra matar a saudade!

Beijao e boa semana...

Gustavo Andriotti disse...

Bah tche, fecho com a Kaqui: 36h cansa só de ler. "Pelamor" vai ser longo assim lá para o Japao. Quando der tu poderia colocar umas fotos das tuas acomodacoes e universidade. Povo curioso é triste :-)

Abraco aí Seu Drebes.

Rafael Huff disse...

Legal ler as tuas primeiras impressões mesmo. Só não espera muito p/ descarregar todas as novidades de uma vez... ;)
Estou começando a desanimar e não sei se vou consguir te visitar em Junho. Tá difícil de sair um "orientadortrocínio" p/ o congresso em Hong Kong.
Abraço!

PS: O youtube tá com problemas hoje e não consegui abrir o link.

Nanda disse...

EEEEEEEEEE te encontrei!!!!

Algumas observacoes:

1) a vo' disse q vai sair beem cedo pra chegar pro almoco...

2) devia ter deixado pra mim o adaptador do cartao SD...

3) tenho um adaptador de video sobrando... mando pela vo' ;)

Bom ler q tu ta bem!!!!

Beijo.

Mário Antônio disse...

Que memória, cara!
Bom saber que chegaste inteiro.
Bom proveito!

Abraços, Mário Antônio

Tiago Fioreze disse...

Meus Deus... 36 horas ninguém merece. Eu já canso em 4hs :)
Pois é tchê... maldita blusa laranja, me rendeu problemas por Belfast :) E saber que por aqui é normal ver isso :P
Falou tchê... um abraço!

Alberto Egon disse...

Bah meu, mas tu eh muito pop mesmo, heim...? tsc tsc... Bateu o recorde de comentarios em um post...

Laura disse...

Drebes, so por curiosidade: tu vais anotando as coisas à medida q acontecem ou é memoria mesmo?
pq eu so consigo escrever assim quando anoto tudo num bloquinho (é, papel mesmo, aquela coisa antiga..:P).
abraços