sexta-feira, dezembro 08, 2006

Bonito, tudo colorido

Sabe aquelas atividades que a gente tem vontade de fazer, que a princípio não tem empecilho ou dificuldade maior, mas pelas circunstâncias a gente acaba adiando? E um dia, na situação mais inusitada, as coisas se arranjam, os “astros se alinham”, e a oportunidade cai de novo na frente da gente? Pois é, pra mim assistir um festival de balonismo foi mais ou menos assim.

Em Torres, a cerca de 200 km de Porto Alegre, todo ano tem um festival internacional de balonismo, bastante famoso e reconhecido, mas apesar da vontade, sempre acabava não assistindo. Estando aqui no Japão, claro, tento nunca deixar escapar as oportunidades, portanto, assim que fiquei sabendo que o campeonato mundial de balonismo seria aqui perto de Tokyo, em Tochigi (栃木), dei um jeito de me mandar pra lá.

O acaso foi a forma curiosa com que fiquei sabendo do evento. Uma vizinha estava de aniversário, e convidou um grupo de amigos para almoçar. Quando estávamos comentando sobre quem iria no almoço, ela comentou que uma outra brasileira, a Eliza, não iria, pois estaria trabalhando neste festival de balonismo. A Eliza é minha colega de japonês. Já havia conversado bastante com ela, mas nunca imaginara ela como observadora oficial de um campeonato de balonismo, ainda mais o campeonato mundial! São as pessoas e as surpresas que elas nos guardam... Conversamos, então, com a Eliza, pedimos mais detalhes sobre o festival, onde estava sendo, como chegar lá, qual o melhor dia para ir, esse tipo de coisa, e no fim de semana seguinte (o último do festival) nos mandamos para Tochigi, para ver uma das últimas provas e uma apresentação noturna dos balões.

Saímos de Tokyo e fomos para Tochigi, estação de Utsunomiya. Fomos com o Rafael, namorado da Eliza, que ficava conversando com ela pelo celular para nos dizer onde deveríamos ir. Para minha primeira surpresa, mas que pensando bem é algo óbvio, um festival de balonismo não acontece em um lugar específico: ele acontece em uma região. Isso significa que não existe um lugar para onde se ir para assistir o vôo dos balões. As provas consistem em um briefing onde os pilotos são informados onde é o alvo, e dentro de algum intervalo de tempo devem voar para ou sobrevoar este local, dependendo do tipo de prova. Como os pilotos não podem saber a priori onde o alvo fica, é complicado para nós, também, nos dirigirmos a ele e esperar os balões.

Felizmente tinhamos o Rafael e a Eliza. Assim que o briefing informou o local do alvo, a Eliza avisou o Rafael e para lá tentamos ir. Primeiro problema: tinhamos apenas uma coordenada. Isso não chega a ser um problema grande aqui, pois muitos taxis tem GPS. Mas estávamos longe de Tokyo, e não havia um único taxi com GPS na redondeza. Mais conversas com a Eliza. O Rafael consegue referências sobre o local do alvo: ao norte do local tal, sul da cidade tal, perto do rio tal, próximo das linhas de alta tensão, e assim entramos em um taxi para procurar o bendito lugar. Sorte que o Rafael fala bem japonês, e ía conversando com o motorista. Andamos, andamos, e nada do lugar aparecer. Nada de vermos um único balão. Ruas longas, praticamente estradas, no meio de campos de arroz. Após certo tempo de viagem, com a conta do taxi já chegando a 50 dólares, pedimos para o motorista parar, acertamos a conta, e dissemos que procuraríamos por ali. Ele, talvez com um pouco de pena, talvez também curioso em ver os balões, continuou andando com a gente por mais alguns quilômetros “pro bono”, dando voltas, até que finalmente avistamos o primeiro balão, e em seguida, diversos carros estacionados ao redor de um campo de arroz onde claramente deveria ser o alvo.

E aí foi bonito. Foi um balão, depois outro, logo o céu estava repleto de balões, que a distância não davam noção do seu real tamanho. Alguns, talvez por imperícia, estavam completamente distantes do alvo, passando a mais de um quilômetro do mesmo. Mas outros foram precisos, passando a alguns metros de onde estávamos. A visão valeu o custo da taxi, a espera, tudo. Tiramos muitas fotos e comentamos que pela primeira vez tirávamos fotos como aquelas de propagandas de camera ou filme fotográfico. Mas os balões foram passando, e, após o último, os carros ali estacionados começaram a ir embora.

Deveríamos então ir para o próximo evento, o chamado “Night Glow”, exibição noturna onde balões acendem seus maçaricos sincronizadamente, ou seguindo uma música. Esse evento seria no Twin Ring Motegi, autódromo que a Honda construiu para trazer a fórmula Indy ao Japão, e que ficava a uns bons 40 minutos de carro dali. Mas não tinhamos carona, e nem taxi passava por aquele local remoto. Já não havia quase mais ninguém para nos oferecer carona, já escurecia (aqui está escurecendo pelas 17:00), e estava bastante frio, cerca de 5 graus. E nós lá, “plantados”, no campo de arroz. Pedimos carona para o pessoal da organização do evento, que nos disseram que iriam para o Twin Ring, mas ainda deveriam terminar umas medições no local, e portanto levariam ainda mais uma hora, pelo menos, e que se não conseguíssemos outra carona, eles nos ofereceriam. O tempo foi passando. Estávamos preocupados. Achamos que eles haviam se esquecido de nós. Fomos nos aproximando deles de novo, até que finalmente duas moças vieram falar com a gente. Elas estavam indo para Motegi numa das vans da organização e podiam nos levar. Felizes e tranqüilos, finalmente!

Entramos na van, e o aquecimento nos realimentou de energia. Não conversamos muito no caminho, dormimos um pouco, e chegando lá, para nossa sorte, passamos por todos os pontos de controle sem muita espera, pois estávamos com o pessoal da organização, e nos largaram do lado do local da apresentação. A carona não poderia ter sido melhor.

Encontramos a Eliza, e a apresentação em seguida começou. Antes, claro, ainda vimos os balões serem enchidos, incluindo o balão decorativo da Honda, com forma de ASIMO. Além dos maçaricos acesos e da música, um bonito show de fogos de artifício acompanhou a apresentação, que só não foi mais legal por causa do frio que lá fazia. Mesmo assim, as fotos e vídeos ajudarão a guardar a lembrança.

Conclui que gosto mesmo de balões, e assumi um novo compromisso de vida: assistir ao Albuquerque International Balloon Fiesta, no Novo México, Estados Unidos.

2 comentários:

Bianca disse...

Oi Oi oi oi!!!

A vizinha sou eu!!! E alem de vizinha eu sou sua amiga ne... e espero que vc me considere uma das melhores ;p

Adorei o post!!!

E que curioso... no Brasil eu tb queria ir para esse Festival de Albuquerque.... sonhaaaavaa em ir... se vc for me manda um cartao de la hein...
beijos
Bia

Biba disse...

Diversao e sorte hein!

Eu nao sabia mas fui a Torres ver XD Minha memoria de quando era pequena eh pessima. Lembro de ter visto baloes, mas onde, quando e com quem nao.. mas se tem um evento anual em Torres, that's it!

Fim de semana que vem tem jogo ^^