quarta-feira, maio 10, 2006

Hábitos estranhos dos povos, incluindo os nossos

Agora não estou com tempo sobre escrever sobre minha aula de japonês. Resumidamente, dá pra dizer que ela vai bem e não é muito chata. Mas tem uma coisa da aula que é bem bacana: o fato de ter gente de tudo que é canto. Além de mim, tem o Hugo, brasileiro, e o Sérgio, moçambicano, mas que além de falar português é quase brasileiro. :) Fora os dois, tem mais três tailandeses, um suiço, um inglês, uma guria de Mianmá1 e outra da Mongólia2.

Como na aula a gente acaba aprendendo a falar das coisas da gente, detalhes sobre os nossos países acabam aparecendo, mas mesmo fora de aula tem muita coisa curiosa que acontece por causa dessa mistura de países.

Hoje ao sair da aula, chegando no elevador, lembrei que tinha deixado meu guarda-chuva na sala de aula, e voltei pra pegar. A guria da Mongólia se deu conta que também havia esquecido o dela e também voltou. Indo pelo corredor, ela esbarrou no meu pé, daquele tipo de pisada por trás que às vezes acontece quando se está seguindo alguém. Ela pediu desculpas e eu disse a ela que não era nada, enquanto falava com o inglês que estava na sala, ainda. Porém, ela não foi embora, ficou esperando nossa conversa terminar, meio angustiada.

Quando terminamos, ela disse:

- Desculpa, mas na Mongólia, sempre que pisamos atrás do pé de alguém, temos o costume/simpatia de sempre cumprimentar a pessoa, por exemplo, dando um aperto de mão. É um costume bobo, mas sempre fazemos...

Ao que eu apertei a mão dela, aliviada ela foi embora.

Esses dias comentava com um venezuelano sobre nosso costume de não andar com guarda-chuvas abertos em lugares cobertos (como de baixo de marquizes, passarelas, etc), por “trazer azar”, e portanto ficar o abrindo e fechando. Para um observador externo, deve causar a mesma estranheza. Só mesmo o convívio com gente diferente pra nos fazer questionar as coisas mais simples que os outros, e nós, fazemos.

1 Eu também não sabia sobre Mianmá, mas já havia ouvido do país pelo antigo nome: “Birmânia” ou “Burma”. Alias, ainda não sei nada, só continuo sabendo que fica na Ásia, e que as pessoas de lá todas falam com o nariz fechado, e numa entonação que parece de um software de síntese de voz. O que não os torna menos gente boa.

2 Já sobre a Mongólia, sempre me trazia a imagem dos bárbaros tipo Genghis e Kublai Khan, mas ao contrário do estereótipo, ela é uma das pessoas mais legais da turma. Com certeza, pelo menos, é a mais legal tirando os “lusofônicos”. ;) E por falar em Mongólia, isso sempre me lembra a história do termo kamikaze (神風), que significa “vento divino” e se refere a uma série de tufões que impediram as invasões mongóis do Japão pelo mar, afundando esquadras inteiras de inimigos. Os mongóis, sim, e não os aliados, foram as primeiras vítimas dos kamizakes, o que não evita que alguns tenham finalmente alcançado essa ilha e sejam hoje meus colegas de japonês. :)

9 comentários:

Gustavo Andriotti disse...

Po Drebes que decepcao. Perdeu uma ótima chance de dizer para introduzi-la ao costume dos 3 beijinhos para comprimentar.

Falta agora tu levar o chimarrao para a classe e esperar que todos pergunte se nao é maconha :-)

Grande abraco!

Guillermo disse...

Cumprimentar por pisar no pé é o de menos... pior é o costume de arrotar em público (esse existe mesmo???) e tomar sopa fazendo barulho.
Abraços.

Roberto Jung Drebes disse...

Andriotti, eu não tinha esses hábitos nem aí no Brasil, não é aqui que eu vou ter. :)

Guillermo, acho que tu estás confundindo com os chineses...

Emerson disse...

"Andriotti, eu não tinha esses hábitos nem aí no Brasil, não é aqui que eu vou ter."

A chance do cara sair do amadorismo e ele nao aproveita, tsc, tsc, tsc. :)

Tu tirou esse "Mianmà" da Wikipédia, né? Sempre vi escrito aqui como "Mianmar".

Abraços.

Tiago Fioreze disse...

Caramba... achei que fosse só eu que tivesse passado por apuros com o que o Andriotti mencionou. Eles me aconselharam seriamente a não tomar chimarrão em público por perigo de eu ser levado a delegacia para perguntas e análise do "material" ingerido :)
Pois é Drebes... esse tipo de coisa é normal quando se está vivendo em outra cultura e com outras culturas "estrangeiras" misturadas. Chego uma hora que tu se acostuma :)

Roberto Jung Drebes disse...

Tapera, acostumado eu já estava. To só relatando pra quem não vem pra cá. ;)

[]s

Sérgio disse...

Eu não abro e fecho o guarda-chuva em baixo de marquises, pra falar a verdade, nunca vi isso.

Ainda que amaldiçoe todos os enguardachuvados que andam de guarda-chuva embaixo da marquise enquanto eu não tenho guarda-chuva.

makimaedinha disse...

É...realmente, eu tb não fecho meu guarda-chuva embaixo de marquises! Nunca ouvi falar disso tb...será q foi por causa disso que minha bolsa não deu certo? hihi
Aliás, odeio usar guarda chuva...
Em relação à tomar sopa fazendo barulho...é verdade...eu tinha costume de fazer e já passei mico por tê-lo feito...

Marilia Melo disse...

Bem, faz tempo mas eu queria comentar e acabei esquecendo.
Eu nao fecho o guarda-chuva por supersticao, mas pq eh besteira andar com o guarda-chuva aberto em um lugar onde nao ta chovendo!!! DUH =P