Nós, as sardinhas

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Quando eu comento com as pessoas que o mais difícil da vida em Tokyo é se habituar com os trens, elas tem certa dificuldade de entender o que eu realmente quero dizer. O problema não é achar a linha ou a estação certa: isso até que é fácil pois tudo é muito bem sinalizado, às vezes até em inglês. O problema mesmo é suportar o aperto extremo de algumas linhas nos horários de pico.

Como a minha aula de japonês é de manhã (às 9:10), sou obrigado a pegar uma dessas linhas. A linha da empresa Odakyu (小田急), em especial, é bastante cheia, pois termina em Shinjuku (新宿), que não por coincidência é a estação de trem mais movimentada do mundo, com uma média de 3,22 milhões de pessoas passando por ela diariamente. Felizmente não vou para Shinjuku, e troco de trem duas estações após embarcar (o que dá apenas uns 10 minutos de viagem nessa linha), mas já é o suficiente pra desanimar.

Os trens são tão lotados que os funcionários da estação (os ekiin, 駅員) todos os dias precisam fazer o famoso gyugyu osu (ぎゅうぎゅう押す) pra ajudar no embarque dos passageiros. Osu significa empurrão, e gyugyu, segundo meu conceituado dicionário de japonês, é: 1. squeeze (things) into (a small space); 2. pack (people) like sardines.

Mas se uma imagem vale mais do que mil palavras, um vídeo vale mais do que várias imagens, e por isso disponibilizo o vídeo abaixo pra que vocês também possam ver como nós, sardinhas, passeamos por Tokyo todos os dias1. É tragicômico, e o melhor é levar na esportiva e bom humor, encarando como a forma japonesa de “integrar” os mais diversos tipos de pessoas, independente de raça, credo, sexo ou idade, apenas pela sua veneração (e dependência) do sagrado densha (電車). :)

1 - Na verdade eu quase sempre tento não pegar o trem que vai pra Shinjuku, mas sim uns menos freqüentes que seguem por outra rota. Ainda assim, pego um trem cheio, mas não absurdamente como estes aí.

por Roberto Jung Drebes 0 comentários