quinta-feira, junho 29, 2006

Regresso a Kyoto - parte 2

Apesar de ter almoçado com o Yone sexta-feira na Horiba, a minha visita a ele ainda não estava completa, pois eu tinha que visitar sua casa e família. E por que eu deveria visitar sua família? Bom, porque eu faço parte (pelo menos de uma pequena parte) da história dela...

Yone era um dos meus colegas de trabalho quando fiz o estágio em 2003 em Kyoto. Seguidamente nós, os trainees estrangeiros, e alguns outros colegas saíamos para jantar após o trabalho. Na região onde fica a Horiba não havia muitas opções, então costumávamos ir em um pequeno restaurante, cerca de meia da empresa caminhando. Era um restaurante simples e familiar (se bem que, havia boatos, alguns Yakuza costumavam ir lá de vez em quando depois de sair do Pachinko). A dona era uma senhora, e a filha dela, Maki, atendia no restaurante.

Maki, apesar de falar pouco inglês, era sempre muito atenciosa com a gente. Não fosse pelos nossos colegas que nos levavam até lá, dificilmente outros estrangeiros iriam ao seu restaurante, então ela sempre aproveitava a oportunidade para conversar conosco, além de nos explicar os pratos e dar sugestões. Como ela era praticamente da nossa idade, começamos a convidá-la quando nos reuníamos para fazer alguma coisa, ir em algum lugar, ou até cantar no Karaoke.

Sentimos que Yone gostava da Maki, mas não demonstrava muito. Sentimos que Maki talvez gostasse do Yone, mas com a falta de demonstração do Yone também não demonstrava muito. Demos o empurrãozinho necessário, comentando com o Yone que talvez ele devesse convidar a Maki pra sair.

Bom, meu estágio terminou e o resto da história acompanhei pelos mails enviado de tempos em tempos pelo Yone e pela Maki. Nos 3 anos seguintes, eles namoraram, casaram, compraram uma casa e, alguns dias antes de eu chegar ao Japão, tiveram uma linha filhinha, chamada Mao.

Voltei de Osaka para Kyoto no sábado depois do almoço para visitar a nova casa de Yone, reencontrar a Maki e conhecer a pequenina Mao-chan. A casa é grande, nova, bem decorada. E a pequena Mao é calminha e bem comportada. Tem 3 meses e portanto ainda não repara na minha cara de estrangeiro, mas possivelmente ouviu inglês pela primeira vez na minha visita à sua casa. Conversamos muito, eu, Yone e a Maki, enquanto a Mao só dormia. Falamos dos acontecimentos posteriores a minha volta ao Brasil, sobre o que aconteceu com outros estagiários e funcionários da Horiba. A conversa era predominantemente em inglês mas às vezes mudávamos para o japonês. Fiquei umas 3 horas na casa deles, conversamos muito e o tempo voou, mas tive que ir embora pois a tardinha ainda tinha outro compromisso: reencontrar o pessoal da AIESEC.

Já escrevi antes, mas, pra quem não sabe, a AIESEC é a organização de estudantes que promoveu meu estágio em 2003. Muitos dos estudantes do escritório da AIESEC na Universidade Doshisha, responsáveis pelo meu estágio, se tornaram grandes amigos, então não podia deixar de reencontrar alguns deles. Quando avisei que estava indo para Kyoto, logo organizaram de reunir os (ainda) membros e sair para jantar comigo.

Parte dos membros que conheci se formou, e por isso não fazem parte mais da AIESEC. Alguns se mudaram de cidade por causa de seus novos empregos. Mas outros, que na época haviam recém entrado no escritório, hoje já são “veteranos”, e foram jantar com a gente. Além deles, havia os que entraram depois, incluindo os que recém entraram em abril desse ano. Foi legal conversar com esses membros novos, que ainda não tiveram contato com os trainees estrangeiros (a AIESEC Doshisha só os recebe no verão, isto é, na metade do ano). Esse convívio, de forma geral, é o espírito da AIESEC. Conversamos, perguntei sobre o que estudavam, porque entraram na AIESEC e o que esperavam dela. Foi bem divertido. Me contaram, também, que este ano vão receber um outro trainee brasileiro e, mundinho pequeno, também gaúcho, de Santa Maria. Conversei também com o pessoal que conheci da outra vez. Relembramos situações, pessoas, enfim, aquele bom tempo que passei em Kyoto em 2003.

Fomos comer Yakiniku (焼き肉), um tipo de refeição japonesa (na verdade a origem é coreana) que lembra um fondue de carne. São fatias finas de carne que são colocadas sobre uma grelha, e essa fica em cima de um recipiente com carvão em brasa, no centro da mesa. Além da carne, às vezes são servidos também salsichas, espigas de milho, cogumelos e alguns outros vegetais, mas o bom mesmo é a carne. O pessoal vai colocando a comida na grelha com os hashis, e tirando a medida que fica pronto, mergulhando numa tigelinha com um molho parecido com shoyu. É muito bom.

Saímos tarde de lá, passamos ainda em um puricura (プリクラ), um lugar que além de jogos tem aquelas maquininhas de tirar fotos de grupos, e depois enfeitá-las e imprimí-las em adesivos, e depois de tirar algumas fotos pra registrar o momento, peguei o último trem de volta a casa dos Magata. Mais uma vez, uma grande noite de sono.

No domingo, último dia, ainda reencontrei mais algumas pessoas, mas isso fica para o terceiro e “derradeiro” post...

domingo, junho 25, 2006

Regresso a Kyoto - parte 1

Feito o exame parcial de japonês, quinta-feira da outra semana, o plano era pegar o ônibus noturno rumo a Kyoto (京都), para aproveitar a sexta-feira sem aula.

A história da compra da passagem, que antes havia comentado, nem é tão interessante. Perguntei uns termos chave (“ônibus noturno”, “ida e volta”, etc) pra minha professora de japonês e lá fui eu para a estação de Tokyo (東京駅), pro conversation challenge1 de verdade. Pra ajudar, fui com tudo anotado: se a atendente não entendesse algo do meu japonês eu mostrava escrito pra ela o que queria.

Chegando lá, começou tudo conforme o script. Expliquei para onde queria ir, que tipo de passagem, e data. Só que depois disso, entretanto, ela fugiu do script que eu esperava: em vez de me dizer o preço, começou a falar um monte de coisas em japonês, ficou quase um minuto falando. Entendi uma só palavra do que ela disse: “doriimu” (ドリーム), que eu sabia que era “dream”, um dos tipos de ônibus. Não tive dúvida, ela estava querendo saber que tipo de ônibus eu queria. Disse pra ela “yasui no kudasai” (安いの下さい, um barato por favor) e ela entendeu. Ficou uns 2 minutos digitando no terminal até que me disse “hai, arimasu” (はい、あります, sim, tem). Tudo certo. Comprei a passagem, que por isso acabou saindo mais barato do que eu planejava, graças a essa “fuga do script”.

Saí da prova, que foi mais fácil do que esperava, voltei pra casa, arrumei tudo pra ter tudo limpinho quando voltasse, e me toquei pra estação. Peguei o ônibus as 21:50. A viagem não foi confortável. Esse ônibus mais barato era semi-leito. Tinha 4 assentos por fila, e ninguém viajando ao meu lado (o ônibus estava bem vazio), mas a divisória de apoio do braço entre os assentos era preso e não levantava. Pior, ela ía até embaixo e não dava nem pra passar as pernas por baixo dela. Cheguei em Kyoto ainda antes das 6:00. No ônibus, olhando pela janelinha, já comecei a reconhecer lugares. Uma esquina, uma loja, lugares por onde eu tinha a lembrança de já ter passado.

A minha viagem a Kyoto tinha dois objetivos principais. Não era uma viagem de turismo, claro, pois eu já havia morado ali e conhecia bastante bem aquele lugar. O primeiro objetivo era rever muitos amigos, colegas, e a família onde tinha morado da outra vez. Mas havia também a tentativa de responder uma dúvida que eu tinha desde que cheguei à Tokyo: O Japão havia mudado, ou era apenas a vida em Tokyo que era tão diferente?

Chegamos na estação de Kyoto e ela estava exatamente da mesma forma. Como era cedo, não havia ninguém na rua, e como o tempo estava bom, aproveitei pra tirar umas fotos (algumas dessas fotos estão na minha página do Flickr). A única coisa pra se fazer cedo pela manhã, num dia agradável, é caminhar pelas ruas. Fui aos templos mais centrais de Kyoto. Na verdade havia uma mudança: um dos templos mais importantes, o Higashi Hongan-ji (東本願寺) está em restauração e o prédio está completamente coberto por uma estrutura metálica, que só será removida em 2011. Da outra vez que eu pra lá fui o templo estava aberto, mas o seu “par” Nishi Hongan-ji (西本願寺) estava também em restauração e coberto. Talvez tivessem começado a reforma do templo do leste (Higashi) por terem terminado a reforma do templo do oeste (Nishi), então fui para o outro verificar se agora ele estava exposto. Não, ainda está fechado, o que é bastante frustrante para um visitante que chega em Kyoto pela primeira vez nessa época.

Fiz uma longa caminhada, fui a um templo mais para longe do centro, para Gion (祇園), o bairro mais tradicional, e para as ruas de comércio (que ainda estavam fechadas). Tudo estava da mesma forma, conhecia as ruas por onde andava e me sentia “em casa”. Próximo ao meio dia, porém, terminei minha caminhada para ir a Horiba, a empresa onde havia feito o estágio em 2003, onde havia combinado de almoçar com antigos colegas. Peguei o trem, lembrava a plataforma, a estação de destino, até o valor do bilhete. Nada havia mudado. Desci próximo à Horiba, fiz a pequena caminhada que fazia todos os dias entre a estação e a empresa, e parecia que havia andado naquele caminho no dia anterior. Chegando lá poderia ter entrado e subido normalmente, mas achei melhor ligar para meus colegas e avisar que havia chegado. Eles desceram e juntos fomos almoçar no restaurante da empresa, onde comi o mesmo que costumava comer sempre: udon (饂飩), um tipo de macarrão japonês.

No restaurante, as mesas, as pessoas com os uniformes, os rostos, tudo estava igual. O Japão, em algumas coisas, não é um país de mudanças. Algumas pessoas me olharam com cara de reconhecimento, e para as com quem eu havia conversado da outra vez, disse algo do tipo: “sim, sou eu mesmo” e contei o que estava fazendo ali. Foi o início de um grande fim de semana no qual confirmei que não, o Japão não havia mudado, mais que isso, as coisas continuavam ainda mais intocadas do que eu esperava.

À tarde encontrei o Cristiano, um brasileiro que veio para o Japão comigo no mesmo programa, mas que estuda em Kyoto. Fomos ao rio Kamogawa, lugar onde costumava gostar de ir, e conversamos bastante sobre nossos primeiros meses no Japão. Para ele, primeira vez por aqui, uma fase de ainda mais surpresas e descobertas. Mesmo assim, encontramos vários sentimentos comuns, como o fato de nos sentirmos “crianças” que se sentem realizadas por conseguirem desempenhar as tarefas mais simples do dia a dia. Havia trazido do Brasil um guia de transportes de Kyoto, que ganhei da outra vez que vim, e deixei o guia com ele.

Antes de ir para Kyoto, escrevi para meus conhecidos para informar que estava indo, e tentar marcar alguma oportunidade de reencontro. Como a família onde havia ficado não tinha email, enviei um postal de Tokyo, com minhas informações de contato. Dois dias depois de enviar o postal recebi um recado da família “pedindo” (uma forma japonesa de oferecer) para que eu ficasse na casa deles. Obviamente aceitei, e então na sexta à noite, como combinado peguei o mesmo trem que todo dia pegava para a viagem de cerca de uma hora até a casa deles. Mais uma vez, tudo continuava exatamente da mesma forma, não demonstrando que o tempo havia passado.

Lá chegando, havia uma janta especial para mim. Bastante comida, e coisas que eu gostava. Senti que a Sra. Magata lembrava dos meus gostos: havia fatias de carne, frango, batata. E convidados também, colegas da Sra. Magata, e a Sra. Nakagawa, mãe da segunda família onde havia ficado. Me senti muito bem de estar de volta, e não havia estranheza por não nos vermos a tanto tempo. O que também ajudou foi eu ter escrito de vez em quando para eles durante esses anos, o que fez com que eles também me escrevessem de volta com as novidades.

Atsushi, o filho mais novo, está já grande (passando de 11 para 15 anos) e falando agora bastante mais inglês (provavelmente pelo ótimo hábito da Sra. Magata de receber estrangeiros em sua casa todo ano). O interesse principal dele passou do futebol para o boxe, o que causa alguma preocupação na sua mãe, que o acha muito magro e frágil para o boxe (mãe é mãe, só muda o endereço). Trouxe uma camiseta para ele de futebol, e felizmente antecipei o “espicho” que ele teve. Entreguei também os presentes pro resto da família, que havia trazido do Brasil. Foi bom ter lembrado deles e ter presentes apropriados para a recepção calorosa que tive na sua casa. Após conversarmos sobre as atualidades (e ter chance de arriscar meus primeiros diálogos em japonês), fui dormir, não no mesmo quarto em que dormia da outra vez (a casa sofreu uma reforma, ganhou até um novo banheiro no segundo andar), mas em outro, que mantinha os mesmos móveis do anterior. Estava feliz, e tive a melhor noite no Japão desde que cheguei.

Dia seguinte, muitos planos. Pela manhã, viagem a Osaka (大阪) para visitar o Koji e a Bianca, dois bolsistas que vieram pelo consulado de Porto Alegre e que eu já conhecia do Brasil. Como havia estado em Osaka duas outras vezes, mas em nenhuma das duas eu tinha visitado o castelo de Osaka, resolvemos fazer esse passeio. A Bianca eu já havia encontrado em Tokyo no feriado da Golden Week (ela veio visitar a irmã que mora aqui), mas o Koji eu não via desde o Brasil. Foi legal conversar com ele: trocarmos experiências e ouvir suas histórias. Esses dois são sempre ótima companhia. Almoçamos perto do castelo, mas à tarde tinha compromissos em Kyoto então precisava voltar.

O fim de semana havia começado bem, e ficaria ainda melhor. Mas como já escrevi bastante, deixo o resto da história para o próximo post...

1 - conversation challenge é uma das atividades da nossa aula de japonês, em que temos que encenar alguma pequena situação. É sempre algo simples que fazemos em sala de aula, como pedir informações, explicar alguma coisa ou tentar comprar algo, e nessa atividade temos que conversar com os professores ou com algum outro japonês pelo telefone.

quinta-feira, junho 15, 2006

“Regressamos agora com nossa programação normal”

Hoje to parecendo (e sou) uma criança com brinquedo novo. Ontem o Issamu, meu sempai (先輩, senior), muito gente boa, que é praticamente japonês já e sabe tudo por aqui, me ajudou a revender a minha camera fotográfica de volta para a loja que compra usados, e com isso hoje saindo da minha aula de japonês fui comprar a camera nova.

A camera da Panasonic é muito bacana. Além de não ter os problemas da Pentax, ela tem alguns detalhes que me fazem considerá-la quase perfeita. Coisas que faltavam na Pentax mas não considerava essenciais, essa camera tem, como salvar a informação sobre a orientação em que as fotos foram tiradas (vertical ou horizontal), e iluminar fotos em ambientes muito escuros para fazer o autofoco, mas ajudando no enquadramento. Além de outros, também.

Não bastasse isso, chegando no dormitório, nem deu pra eu mexer muito na camera, pois tinha chegado a minha “encomenda”: meu computador novo. Aeeee!

Comprei ele pelo site da Apple Japão, que obviamente é todo em japonês. Mas não foi difícil: compras onlines seguem o mesmo padrão em qualquer lugar do mundo. Primeiro se cria uma conta, depois se faz o login, se adicionam os produtos no “carrinho” e finalmente se faz o checkout, indicando informações de pagamento. Fui fazendo isso, consegui preencher os campos de nome, endereço, e inclusive informar que eu queria pagar na loja de conveniência, e no fim deu tudo certo. Veio o boleto pro meu endereço, paguei na lojinha na frente de casa, depois de 2 dias úteis confirmaram o pagamento e me mandaram a mercadoria.

Só que nem vou ter muito tempo pra me divertir com meus novos brinquedos: amanhã de manhã tenho prova de japonês, já da metade do “semestre” (que começou só em abril), e por isso sexta-feira não tem aula. Vou aproveitar o feriadão pra ir pra Kyoto (京都) pra rever vários amigos de 2003. Comprei uma passagem de ônibus relativamente barata. Mas essa é outra história, que fica para quando eu voltar (segunda-feira).

Alias, eu deveria estar estudando. Ou pelo menos decorando vocabulário. Vou lá... Até!

terça-feira, junho 06, 2006

“Interrompemos nossa programação para troca de equipamentos...”

Tenho atualizado esse blog menos do que gostaria, e aqui colocado menos fotos do que seria interessante. Vou explicar alguns dos motivos disso estar acontecendo.

Não é que minha vida esteja tão ocupada que eu não tenha tempo pra fazer atualizações, nem tão parada que não tenha nada interessante sobre o que escrever. Resumindo, o problema maior é técnico, relativo ao meu acesso a internet e a minha camera digital.

Eu pensava que assim que tivesse internet em casa o problema estaria resolvido, mas não foi bem assim que aconteceu. Estou com internet em casa a cerca de 15 dias. Eu e o Marcelo, um outro brasileiro que mora aqui no meu dormitório, estamos dividindo o acesso a internet que ele assinou. O serviço a princípio é muito bom. Se paga cerca de 27 dólares por um acesso de 100 Mbit/s (cerca de 250 vezes mais rápido que o acesso típico de “banda larga” no Brasil). Isso é possível porque no nosso dormitório chega um cabo de fibra ótica da NTT e ela distribui o acesso via DSL dentro do prédio, que possui seu próprio “servidor de DSL”. Na teoria tudo perfeito, se a gente não dividisse o acesso.

Eu moro de um lado de um corredor e o Marcelo do outro, praticamente na minha frente (na verdade do lado, já que o corredor é em forma de “T”). Como fica complicado passar um cabo pelo meio do corredor, compartilhamos a internet por uma rede wireless (sem fio). A distância é pequena, mas meu notebook tem revestimento de alumínio, e sabidamente ele tem alcance de rede sem fio mais baixo que o comum. Além disso, nossas portas são de metal, o que atrapalha o sinal, e existem outras redes wireless em nosso prédio, o que também contribui com interferência. Então a qualidade do sinal fica muito baixa, e o acesso a internet fica indo e vindo, em algumas horas de forma insuportável pelo grande número de mensagens (informações) que se perdem na transmissão. Isso, também, explica porque tenho falado pouco no MSN, e quando uso, se não respondo alguma mensagem, não é porque esteja ignorando as pessoas mas sim porque algumas mensagens estão se perdendo.

Felizmente, já encomendei meu notebook novo, que dizem ter alcance wireless muito melhor. Tenho esperança que com ele a internet fique decente, e se não ficar, assino logo o serviço pro meu quarto também.

A outra questão é da minha camera digital. No Brasil eu tinha uma camera digital que eu gostava muito, da Pentax, chamada Optio S. Só que como eu vinha para a “terra dos eletrônicos” não fazia sentido trazer, e deixei ela no Brasil pensando em comprar uma nova aqui. Decidi comprar o modelo atualizado da mesma camera, Optio S6, esperando que essa seria ainda melhor que a que eu já tinha, já que é mais moderna.

Foi difícil encontrar a camera pra vender por aqui. Quase todas as lojas não a tinham mais a venda. Mas por fim consegui e a comprei, ainda no primeiro mes que cheguei. Só que a camera foi uma grande frustração. O modo automático dela tira fotos muito ruins. Situações um pouco escuras geram fotos extremamente escuras, e um pouco claras geram fotos claras ao extremo. Além disso, ao se pressionar o botão para fotografar, o autofoco leva uma eternidade para se regular, e portanto a foto também demora a ser tirada. Quando eu vou tirar a foto sei como lidar com isso, mas se peço a alguém para que tire uma foto, dificilmente a foto fica boa.

Vou tentar revender a camera para a mesma loja onde comprei, eles aceitam produtos usados. Se me derem metade do que eu paguei já fico feliz, pois se permanecer com ela considero uma perda total. E já decidi qual camera irá substituir a atual: será uma Panasonic Lumix FX-01. Se conseguir revender minha camera, devo comprar a nova ainda mês que vem, caso contrário até o fim do ano. Com isso, finalmente, terei mais fotos e videos para disponibilizar por aqui.

Então enquanto meus “equipamentos” não forem atualizados, vou suspender as atualizações desse blog. Mas dentro de “alguns instantes” regressaremos com nossa programação normal...

segunda-feira, maio 22, 2006

Alguém precisa de ajuda?

Pode ser alguma coisa na forma que eu caminho, tentando nunca mostrar indecisão (mesmo que eu esteja completamente perdido), mas o fato é que, em qualquer lugar, pessoas sempre vem me pedir informações. Seja em Montréal, quando visitava a Bia e não conseguíamos dizer muito além do “Je suis désolé” pra um casal que nos parou, seja na curta escala de algumas horas que fiz na Alemanha quando ía pra Israel, em que uma senhora me parou no trem e nem dizer “eu não falo alemão” eu sabia, o fato é que as pessoas devem achar que eu tenho cara de local, em tudo que é lugar.

Bom, pelo menos é o que eu achava. Agora penso que é essa minha cara de bom samaritano, mesmo. Só isso explica o que aconteceu ontem, quando japoneses vieram me pedir informações! Estava voltando do laboratório, de fones de ouvido, quando ouvi a distância um “sumimasen” (com licença), depois, outro. Não devia ser comigo, pensei, já que outros japoneses estavam por perto, e continuei andando, até ouvir um “excuse me”. Era comigo mesmo! Um casal perdido querendo saber onde ficava a estação Yoyogi-Uehara (代々木上原), coincidentemente, a minha estação. Estava indo pra lá e disse que eles podiam me seguir (em inglês, claro). Não tenho como passar por japonês, então deve ser a minha cara, ou o andar confiante, um dos dois, só pode ser...

domingo, maio 21, 2006

Explorando o subsolo

O trânsito rodoviário em Tokyo é muito lento, diz-se que a velocidade média é de 20 km/h na cidade. Ao redor do centro existe um anel que tenta desafogar o tráfego central, mas ele não é completo, já que por uma parte simplesmente não havia espaço para construção.

Quando acaba o espaço, japonês começa a cavar. Aqui, eles resolveram o problema com a construção de um túnel de 11 km para completar a auto-estrada em anel. O projeto está em construção e deve ficar pronto ainda esse ano, e é composto de dois túneis paralelos a 30 metros de profundidade, cada um com 12 metros de diâmetro.

O passeio desse fim de semana foi uma visita a este túnel em construção (Central Loop Shinjuku Line). A obra é feita através de um joint-venture de várias empresas, e caminhamos por um trecho de cerca de 800 metros sob responsabilidade de uma delas. Recebemos informações sobre a construção do túnel: uma broca gigante de 12 metros de diâmetro, pesando 2500 toneladas, cava a uma velocidade de 3 cm por minuto, ou 1,5 m por hora. Ela utiliza água para a perfuração. A água limpa é levada até a máquina por mangueiras, e a água com o barro da escavação é levada de volta para pontos de reciclagem, onde é separada do barro, que então é levado para fora do túnel. A cada 50 minutos, a máquina pára e se colocam placas de concreto pré-moldadas parecidas com peças de “Lego”, que são encaixadas e aparafusadas. Não há concretagem no interior do túnel, e de fato a obra é muito limpa. Para avançar a broca, macacos hidráulicos controlados por computador são usados, de forma que a broca ande sempre em linha reta, mesmo que um lado do solo perfurado seja menos duro/denso que os outros.

Foi um passeio legal, instrutivo e diferente, e fiquei mais tranqüilo por não encontrar os ovos do Godzilla lá embaixo. Espero ter mais chances como essa por aqui. E quanto mais eu desco, mais perto de casa estou. ;)

Mais detalhes sobre a obra estão nessa página.

quarta-feira, maio 10, 2006

Hábitos estranhos dos povos, incluindo os nossos

Agora não estou com tempo sobre escrever sobre minha aula de japonês. Resumidamente, dá pra dizer que ela vai bem e não é muito chata. Mas tem uma coisa da aula que é bem bacana: o fato de ter gente de tudo que é canto. Além de mim, tem o Hugo, brasileiro, e o Sérgio, moçambicano, mas que além de falar português é quase brasileiro. :) Fora os dois, tem mais três tailandeses, um suiço, um inglês, uma guria de Mianmá1 e outra da Mongólia2.

Como na aula a gente acaba aprendendo a falar das coisas da gente, detalhes sobre os nossos países acabam aparecendo, mas mesmo fora de aula tem muita coisa curiosa que acontece por causa dessa mistura de países.

Hoje ao sair da aula, chegando no elevador, lembrei que tinha deixado meu guarda-chuva na sala de aula, e voltei pra pegar. A guria da Mongólia se deu conta que também havia esquecido o dela e também voltou. Indo pelo corredor, ela esbarrou no meu pé, daquele tipo de pisada por trás que às vezes acontece quando se está seguindo alguém. Ela pediu desculpas e eu disse a ela que não era nada, enquanto falava com o inglês que estava na sala, ainda. Porém, ela não foi embora, ficou esperando nossa conversa terminar, meio angustiada.

Quando terminamos, ela disse:

- Desculpa, mas na Mongólia, sempre que pisamos atrás do pé de alguém, temos o costume/simpatia de sempre cumprimentar a pessoa, por exemplo, dando um aperto de mão. É um costume bobo, mas sempre fazemos...

Ao que eu apertei a mão dela, aliviada ela foi embora.

Esses dias comentava com um venezuelano sobre nosso costume de não andar com guarda-chuvas abertos em lugares cobertos (como de baixo de marquizes, passarelas, etc), por “trazer azar”, e portanto ficar o abrindo e fechando. Para um observador externo, deve causar a mesma estranheza. Só mesmo o convívio com gente diferente pra nos fazer questionar as coisas mais simples que os outros, e nós, fazemos.

1 Eu também não sabia sobre Mianmá, mas já havia ouvido do país pelo antigo nome: “Birmânia” ou “Burma”. Alias, ainda não sei nada, só continuo sabendo que fica na Ásia, e que as pessoas de lá todas falam com o nariz fechado, e numa entonação que parece de um software de síntese de voz. O que não os torna menos gente boa.

2 Já sobre a Mongólia, sempre me trazia a imagem dos bárbaros tipo Genghis e Kublai Khan, mas ao contrário do estereótipo, ela é uma das pessoas mais legais da turma. Com certeza, pelo menos, é a mais legal tirando os “lusofônicos”. ;) E por falar em Mongólia, isso sempre me lembra a história do termo kamikaze (神風), que significa “vento divino” e se refere a uma série de tufões que impediram as invasões mongóis do Japão pelo mar, afundando esquadras inteiras de inimigos. Os mongóis, sim, e não os aliados, foram as primeiras vítimas dos kamizakes, o que não evita que alguns tenham finalmente alcançado essa ilha e sejam hoje meus colegas de japonês. :)

terça-feira, maio 02, 2006

Terremoto

Acabei de sentir meu primeiro terremoto por aqui. Apesar de ter passado 3 meses no Japão em 2003, não havia sentido nenhum, pois daquela vez viajei bastante e eles sempre aconteciam onde eu não estava (tipo, uma semana antes ou uma depois de eu chegar/sair de um lugar).

Dizem que aconteceu um aqui na região de Tokyo na semana passada, de madrugada, mas não senti nada. Estava em casa e meu quarto fica no primeiro piso, e por isso fica difícil de se sentir (quanto mais alto se está mais o efeito é “amplificado”). Improvisei um “sismógrafo” no meu quarto, que não detectou nada daquela vez. Não tenho foto dele aqui comigo, mas outra hora mostro como usei minhas habilidades de McGyver para “construí-lo”.

Mas voltando ao tremor. Aqui eles chamam de jishin (地震) e é parte do cotidiano. Contam que o site onde leio a previsão do tempo mostra todos os (mini) terremotos que acontecem todos os dias, mas como só entendo a temperatura e os desenhinhos de sol, chuva e nuvens, não sei onde encontrar essa informação. Estava aqui no meu laboratório quando esse aconteceu, e o pessoal que estava conversando continuou normalmente como se nada estivesse acontecendo. Pra eles, de repente, nem vale a pena parar por algo tão leve. Claro, se começa a aumentar a coisa muda...

Foi mais ou menos assim: estava sentado na minha mesa, que fica dentro de uma daquelas baias feitas com divisórias (de cerca de 1,20m de altura). Minha mesa e cadeira começaram a jogar para os lados, cerca de uns 3-4cm para cada lado. Isso porque estamos no 5º andar. Lá no térreo provavelmente ninguém sentiu nada. Foram uns 15 segundos, e nos primeiros 5 eu ainda fiquei tentando entender o que estava acontecendo. Quando finalmente me dei conta, já estava terminando. Era como se minha mesa estivesse dentro de um ônibus andando numa estrada ruim. :)

O lado bom? Primeiro, é bom começar com um leve, pra que o susto seja menor quando um grande realmente acontecer. Também, dizem que esses pequenos são bons para liberar a energia acumulada: se as coisas estão paradas por muito tempo, quando acontece um terremoto, ele costuma ser dos fortes.

Update: Achei as informações sobre o terremoto no site que mencionei. Foi de nível 3~4 na escala japonesa, e 5,6 na escala Richter. O engraçado é que o centro foi na província de Kanagawa, pertinho de onde fica meu dormitório. De fato, o fim da linha do trem que eu pego fica em Atsugi, comentado na reportagem. O gráfico do terremoto está acima.

segunda-feira, abril 24, 2006

Conta postal

Desde a semana passada já tenho conta postal, por onde devo receber minha bolsa. Abri ela pela Universidade. Demorou um pouco mais que o comum porque esqueceram de me avisar que eu tinha que assinar o formulário. Tive que voltar no escritório de assuntos internacionais para fazer isso, e lá estavam vários outros estrangeiros fazendo o mesmo, então acho que foi mais falha deles (de não avisar, já que o formulário é todo em japonês) do que nossa. Ganhei um talãozinho da conta com informações como o saldo (tive que depositar a fortuna de 10 ienes para abrí-la) e o cartão de acesso aos caixas eletrônicos.

O cartão, mostrado abaixo1, é meu “kyasshyu kaado“ (“cash card” falado na maneira “Seu Creyson” de ser dos japoneses) e tem duas coisas interessantes. A primeira é óbvia: meu nome está escrito em katakana, alfabeto japonês para termos/nomes estrangeiros. Esse é meu primeiro cartão plástico com meu nome escrito assim. Alias, dessa vez estou usando meu nome com a pronúncia mais próxima da correta (“dorebesu hoberuto yungu”, ドレベス ホベルト ユング) que da outra vez que vim (quando usei “roberuto”, ロベルト, com “r” fraco, como no inglês “robert”).

A segunda coisa sobre o cartão, mais discreta, é que ele é “mágico”, pois não tem tarja magnética. A explicação é que ele tem um chip de RF, pelo qual se comunica com o terminal. Já estou aprendendo a operar a maquininha, pra fazer meus depósitos, retiradas, e consultar o saldo. O interessante é que ela dá troco: é possível colocar uma nota de 10 mil ienes e depositar só um iene, e a máquina devolve os 9999 ienes restantes em notas e moedas correspondentes.

1 O número da conta foi borrado na foto, por segurança.

quinta-feira, abril 20, 2006

Band Aid que não solta e outras técnicas milenares

Continuando a série de técnicas simples para descascar uma batata ou dobrar uma camiseta de uma só vez, aprenda com o oriente a técnica milenar de colocar Band Aid no dedo de forma que ele não solte!

A lista completa de vídeos da série pode ser encontrada aqui.

segunda-feira, abril 17, 2006

Ovo solitário

Já da outra vez me impressionou a “individualidade” das embalagens japonesas. Se a embalagem não é individual, é de um tamanho pequeno, com absurdamente pouca quantidade do produto. Faz sentido para quem mora sozinho, mas essa explicação não serve sempre. Ao se comprar uma caixa de doces, por exemplo, dentro da caixa maior cada um dos doces também vem embalado individualmente. Completamente anti-ecológico, mas cultural daqui. Faz parte da “cultura de embrulhos”.

Mesmo sabendo disso, não esperava encontrar um ovo solitário. Deve ser para aquelas horas em que comprar dois ou quatro ovos pode ser demais...

Caratê com o Spectroman

Semana passada teve a festa de boas vindas do nosso dormitório. Festa padrão: discurso de autoridades (em japonês, não serviu pra muita coisa), e depois muita comida de graça. Além das autoridades da JASSO, outras pessoas relacionadas ao dormitório estavam presentes. Muita gente conversando, puxando papo, divulgando suas atividades. Um senhor me entregou um folheto sobre aulas de caratê gratuitas todas as segundas-feiras pela manhã na sala de esportes do dormitório.

Não dei muita importância, até que o pessoal comentou comigo:

- Ah, essas são as aulas do Spectroman1...

- Ahn, como assim?

- O sensei é o ator que fazia o papel do Spectroman.

Tá, duvidei, achei que era brincadeira... Mas fui me informar. Não é que era verdade?! O Sr. Tetsuo Narikawa é o ator que fazia o papel de Spectroman. Ele é mestre de caratê e o dojo dele dá aulas no meu dormitório de graça. E lá estava ele passeando de uniforme de caratê (Gi) na minha frente...

Pra quem duvida aí abaixo está a foto do folheto. A foto do Sr. Narikawa atual pode ser vista nesse link.

1Pra quem não sabe, “Spectroman” é um seriado japonês que passava no SBT na década de 80, que pode ser considerado o pai do Jaspion (e um dos filhos do National Kid).

Atualização: Como muita gente ainda visita esta página procurando por Tetsuo Norikawa no Google, acho que devo atualizar aqui. Infelizmente, o Prof. Tetsuo Narikawa faleceu no dia 1º de Janeiro de 2010, vítima de um câncer de pulmão. Nunca conversei com ele, mas o vi em algumas ocasiões depois de ter escrito o post acima. Segundo seus alunos de caratê, ele era uma pessoa muito acessível, sabia da admiração que os brasileiros tem por ele, e era muito grato por isso.

quarta-feira, abril 12, 2006

Dormitório e vizinhança

Como escrevi antes, estou morando em um dormitório da JASSO, chamado Soshigaya International House. O bairro se chama Setagaya, e fica no “subúrbio”, ao sudoeste de Tokyo.

Ser afastado do centro tem um lado ruim. Existem apenas duas estações de trem próximas do dormitório. A primeira fica 20 minutos a pé ao sul, e a outra cerca de meia hora também a pé ao norte. De fato, a segunda já se encontra em outro município, fora de Tokyo, o que mostra o quão afastado do centro é o dormitório. É possível ir de bicicleta pras estações. A mais perto, entretanto, não tem lugar pra deixar a bicicleta, e o estacionamento particular custa 100 ienes (cerca de 0,84USD) por dia. Por enquanto vou indo a pé, então, e ainda não comprei bicicleta.

Quando chegamos ao dormitório, vindo de taxi do aeroporto, lá estavam algumas pessoas nos esperando. Além de uma estudante japonesa (Nozomi, se não me engano) que é uma das “resident assistants” do dormitório (um grupo de japoneses que pode morar no dormitório desde que auxilie os extrangeiros com algumas coisas), havia também o Bogdan, brasileiro, que além de morar no mesmo dorm trabalha no mesmo laboratório (e tem mesmo orientador) que eu, o Leandro, outro brasileiro que mora em Soshigaya, e a Elka, que morou lá mas teve que sair esse ano pois completou os 2 anos pelos quais se pode viver lá.

Ao chegarmos, nos mostraram as coisas básicas do dorm: o banheiro, a cozinha, e os nossos quartos. Exausto, deu tempo apenas de tomar um banho, e ir dormir.

No dia seguinte, primeiro no Japão, acordei de madrugada pela diferença de fuso, e após cerca de duas horas desfazendo as malas e dando uma arrumada geral no quarto, quando já estava claro, resolvi procurar a estação mais próxima. Havia visto no Google Maps a localização do dormitório, e sabia que a estação estava indo-se (um bocado) ao sul. Felizmente nesse dia já havia aparecido o sol, e com isso consegui achar a direção. Caminhei até a estação, encontrei de primeira. Chegando lá, dei uma olhada geral no mapa das linhas para ter uma idéia de onde estava em Tokyo, e de quanto teria que pagar para chegar até a Universidade, e voltei para o dormitório, chegando perto das 7:00.

Na metade da manhã tivemos uma reunião para preencher uns documentos de inscrição no dormitório, e também os formulários do registro de estrangeiros e do serviço público (seguro) de saúde. A guria que é a “resident assistant” nos mostrou as dependências do dormitório. Além da cafeteria na entrada, há uma sala de TV, um estar com jornais do dia (incluindo o Japan Times, em inglês), biblioteca, sala de reuniões, sala com tatami, sala de música (completa com piano, bateria e outros instrumentos) e um grande salão de festas. Do lado de fora há ainda uma quadra de tênis, sala de musculação e uma quadrinha de basquete coberta. Não sei se esses recursos são bem aproveitados, porém.

Terminamos a papelada e o “tour” perto do meio dia e fomos até o correio1 tentar fazer câmbio. Não era muito longe, cerca de metade da distância até a estação, ou seja, uns dez minutos a pé. Voltamos para o dormitório bem a tempo de nos reunirmos para ir ao escritório municipal para fazer a solicitação dos documentos.

Setagaya é um bairro da elite. As ruas são tranqüilas e arborizadas, cheias de casas, grandes para os padrões japoneses. As cerejeiras das ruas, ao chegarmos, estavam completamente floridas, e pode-se dizer que elas não florescem nessa época, elas explodem. Imagine uma árvore onde todas as folhas foram substituídas por flores, e é essa a visão. Quando as flores começam a se desmanchar, as pétalas caem e parece que está nevando, e as ruas ficam cobertas de pétalas que parecem confetti. É uma visão muito linda.

Algumas casas da vizinhança são do tamanho de casas de classe média em Porto Alegre, o que mostra o quão ricas as pessoas são por aqui. Nas garagens, sempre mais de um carro, geralmente sendo um deles um Mercedes, Audi ou BMW. Alguns Porsches e Jaguars também. Fico imaginando o custo do terreno onde o dormitório foi construído.

Algumas pessoas (principalmente senhoras) dessa vizinhança fazem parte da SIFA (Soshigaya International Friendship Association), que tentam nos dar alguma assistência, além de preparar alguns eventos sociais, como festas de recepção. Foram senhoras da SIFA que nos acompanharam até o escritório municipal para tirarmos os documentos. Elas falam inglês, e acredito que se envolvam com a SIFA também para ter a oportunidade de praticar. Como a Elka comentou, elas sabem todos os “esquemas” daqui, nos ajudam com a burocracia, e conhecem todo mundo. Além disso, oferecem aulas de japonês gratuitas para os interessados. São realmente uma grande ajuda.

Voltando ao dormitório, é realmente uma torre de babel. Tem gente de toda parte. América do Sul, Central e do Norte, Europa. Ásia, África, Oriente Médio. Claro, os grupos vão se formando, mas no geral se conversa com todo mundo. Essa parece ser uma vantagem desse dormitório: como existem vários lugares de convívio, as pessoas acabam se conhecendo melhor. No outro dormitório, Komaba, dizem, as pessoas acabam não interagindo muito, pois os quartos são mais completos (com chuveiro e fogareiro) e as áreas comuns mais limitadas.

Falando em Komaba, que é um dormitório do lado de onde vou trabalhar e poderia morar, uma questão que todos levantaram é que ninguém, praticamente, parece morar perto do lugar onde estuda e trabalha. Primeiro brincou-se que a explicação era que o governo japonês quer que reinjetemos o capital na economia, gastando pequenas fortunas no sistema de transporte, mas depois ouvi uma explicação mais plausível. Segundo ela, a localização dos estudantes foi feita de modo que na média todos morassem à mesma distância de suas universidades, evitando que uns morassem do outro lado da rua, mas que outros levassem 3 horas dentro de trens. Me lembrei de uma técnica chamada TCS (travel cost sharing) usada nas conferências da AIESEC, que é bastante parecida.

Sobre meu dormitório e vizinhança acho que é isso. Claro que há mais o que contar, mas não quero deixar isso aqui detalhista em excesso, e o mais importante está aí.

1O correio no Japão há anos realiza serviços de banco, o que é meio surprendente pra nós, que temos “banco postal” há poucos anos. Mais que isso, o correio do Japão possui o maior sistema de cadernetas de poupança do mundo, com mais de 2,1 trilhões de dólares. É uma das poucas instituições públicas daqui que resistiu a corrida das privatizações dos anos 80, que acabou com o monopólio estatal dos trens e das telecomunicações. O atual primeiro ministro Junichiro Koizumi (小泉純一郎), entretanto, elegeu-se com o plano de privatizar o correio, e após ter sua proposta derrotada pelo congresso (dieta), dissolveu o mesmo e decretou novas eleições, tendo obtido finalmente a maioria que deve dar continuidade ao processo. Isso mostra a importância do correio como instituição aqui.

sexta-feira, abril 07, 2006

Tranquility base here, the eagle has landed...

São 4:14 da manhã. Deveria estar dormindo, tenho encontro com meu orientador hoje às 9:00. Mas não dá, eu volto pra cama e não tenho a menor vontade/capacidade de dormir. Vou aproveitar, então, pra relatar um pouco da viagem e da chegada. Se estiver com sono ao terminar é sinal de que o texto ficou bastante cansativo. ;)

Saí de Porto Alegre na segunda-feira às 14:00, mas fiz o embarque antes, às 13:25. Ao aeroporto foram meus pais, irmã, padrasto, avó e a minha “babá”, que hoje é ajudante da vó, e de quem gosto muito. O clima foi triste, como esperado, e a choradeira teria sido ainda maior se ficasse me enrolando mais para embarcar. O pior não é a despedida, pois despedidas estão sempre acontecendo. O pior é não ter uma data certa de retorno, pois a volta depende de uma porção de coisas.

O que quebrou um pouco o clima de tristeza foi o comentário da minha avó. Segundo minha irmã, após embarcar, minha mãe ficou olhando para dentro das paredes de vidro do embarque tentando ver onde eu estava. Minha avó, vendo isso, e sob influência do Alzheimer que tem, perguntou quem minha mãe estava procurando, e ao minha irmã responder que era eu, que havia ido para o Japão, disse:

- Ora, se ele foi para o Japão, não adianta procurar!

Nada como a sabedoria crua de alguém cujo raciocínio também está mais cru do que nunca. Completando o pensamento, depois, ela já encontrou uma solução para o problema, e conversando com a babá, já decidiu:

- Podemos pedir dinheiro para a filha e pegar um ônibus, para ir um dia lá almoçar com ele.

Enfim. Voei pra São Paulo e, sendo um dos primeiros bolsistas que lá chegou, fiquei no aguardo do pessoal que vinha de Florianópolis e que já conhecia de um almoço organizado pelo consulado. Quando a Bianca e o Ronan chegaram, fomos comer alguma coisa (um último McCalabresa, com certeza) e terminando fomos fazer o check-in de transferência da Air Canada. Na fila do check-in, já encontramos alguns outros bolsistas do Brasil que conhecia da lista, do orkut e da dinâmica externa que participei em São Paulo, em Janeiro. Reencontrando essa gente que estava no mesmo clima que eu, a tristeza por estar indo embora desapareceu. Estávamos mais empolgados com o que estava por vir.

O atendente de check-in da Air Canada não ajudou muito. Além de me colocar no lugar errado no vôo (que depois foi corrigido com uma troca de assento), nos informou que deveriamos pegar as bagagens em Toronto e Vancouver, e lá fazer check-in completo da JAL. Além disso, colocou terrorismo e disse para embarcarmos duas horas antes da partida, porque segundo ele estava demorando muito a verificação de segurança. Com isso, não encontrei o pessoal de SP que foi ao aeroporto se despedir dos bolsistas, pois o pessoal chegou logo depois de passarmos pela segurança. Fiquei muito chateado com isso.

O vôo para Toronto foi normal. Chegando lá, porém, ao retirar minha bagagem para fazer alfândega, reparei que um potinho com moedas de vários países que levava junto aos meus sapatos, havia sumido. Queria alguns dólares canadenses para alugar um carrinho de malas. Achei que só isso havia desaparecido, mas mais tarde descobri que foi ainda mais. Além das moedas, sumiram meu canivete suiço, um cartão SD de 512MB e o leitor, além dos adaptadores de vídeo do notebook, e a capinha de neoprene do meu mouse “surfista”. Fiquei bem chateado, mas pelo menos tudo é substituível.

Os bolsistas se dividiram no vôo Toronto-Vancouver. A maioria foi num primeiro vôo às 9 horas, mas eu e mais dois fomos uma hora mais tarde. Com isso, chegamos a Vancouver bastante em cima do vôo para Tokyo (Narita). A chegada era prevista para às 11:57. Chegamos na verdade às 11:46, mas não podemos desembarcar porque um avião estava em nosso portão, até as 12:05. Devido a isso, tivemos que correr para pegar o vôo que saía as 13:05. Por causa do que o atendente da Air Canada de São Paulo havia dito, achei que teríamos que pegar bagagens e fazer segurança em menos de uma hora, mas felizmente ele não tinha idéia do que estava falando. As malas foram repassadas entre as companhias, e não tivemos que fazer desembarque, apenas correr entre os portões. Chegamos a ser chamados no sistema de som do aeroporto, mas nessa hora já estavamos a caminho do portão. Chegamos a tempo.

No portão já o primeiro “sentimento de Japão”. Centenas de jovens japoneses de escola, voltando de uma excursão ao Canadá. Além desses, diversas outras pessoas, um mar de gente. O Boeing 747 (Jumbo) parecia pequeno para tanta gente, e fiquei pensando no desafio que será embarcar um Airbus A380, avião ainda maior que está sendo lançado.

No avião, a maioria dos bolsista foi no deck superior, mas fui no andar de baixo, pois havia ligado para JAL para reservar um assento de corredor. Gostaria de ter viajado no andar de cima, mas pelo menos dei uma subida para ver como era lá em cima e conversar com alguns outros bolsistas. Achei bem bacana. Como alguém comentou, parecia um “lounge” particular. O barulho é menor, mas pareceu balançar mais, talvez pela estrutura do avião, talvez apenas por termos entrado em uma turbulência no momento em que subi.

Trinta e seis horas depois de sair de Porto Alegre chegamos a Tokyo. A imigração foi tranqüila, apenas as nossas bagagens demoraram a chegar, mas considerando o número de passageiros do vôo, é admissível. A felicidade de ver minhas duas malas foi grande. Passamos pela alfândega e no lobby nos esperavam duas moças da JASSO, a organização de assistência a estudantes estrangeiros no Japão. Depois encontramos outros funcionários, com nível variado de inglês. As mesmas pessoas nos perguntavam diversas vezes para onde íamos, era claro para nós que elas nos achavam todos iguais. Uma moça, entre as perguntas, tentava nos dizer para esperar. Dava para ver que ela estava bastante nervosa, ao que dizíamos para ela “dayjoubu desu” (está tudo bem, sem problemas). Como comentei com outros bolsistas, a idéia aqui no Japão é que a gente realmente não sabe o que está acontecendo, mas se pode confiar nos japoneses que dá tudo certo.

Os funcionários pediram para esperarmos um pouco, depois fomos classificados por destino (alguns ainda teriam que viajar a partir de Tokyo para outras cidades), e em seguida entregamos nossos bilhetes aéreos e recebemos a ajuda de instalação (~250USD). Fomos colocados em taxis e enviados aos dormitórios.

A viagem de Narita até Tokyo é longa, cerca de 60km para oeste. Para complicar, meu dormitório é quase na fronteira oeste de Tokyo, então ainda tivemos que atravessar a cidade. O taxi levou cerca de 1:30 e dividi a corrida com o Marcelo, bolsista de BH que está morando no mesmo dormitório que eu. O tempo estava chuvoso e frio (uns 9 graus), e a paisagem não muito bonita. Além disso, o cansaço pela viagem e pelo fuso, e ao chegar em Tokyo dei uma cochilada1. Para se ter uma idéia da distância, o custo do taxi foi de uns 120 dólares, felizmente pagos pela JASSO.

Tem ainda bastante o que escrever sobre o dormitório e a universidade, mas fica para outro post.

1A cochilada começou logo após passarmos justamente pela ponte da foto do post anterior, a partir de onde encontramos o trânsito mais engarrafado.

quarta-feira, março 29, 2006

Assinaturas

Como aprendi na outra viagem, muita gente não tem saco de ficar lendo blog e prefere receber os relatos por email. Por esse motivo, adicionei um serviço de assinaturas pra esse blog. É só digitar o endereço de email na caixinha ali à direita e clicar "Assinar". Quando houver um novo post ele será enviado por email. Simples.

Ainda estou testando o serviço. Na página diz que ele envia um mail todo dia com os novos posts, mas a minha dúvida é se ele manda o mail mesmo que não haja post. Se enviar, fica meio chato. Bom, me inscrevi de cobaia do serviço, assinando meu próprio blog, e inclusive este será o primeiro post que deve ser enviado para o meu email. Se não ficar satisfeito com o serviço, retiro o link de assinatura ali do lado, e procuro outro.

segunda-feira, março 27, 2006

Luzes cegantes

Deve-se pelo menos questionar uma lista das 15 vistas urbanas mais bonitas do mundo que, ao escolher uma cidade brasileira, coloque São Paulo ao invés do Rio de Janeiro. Mesmo assim, vale o link, que talvez explique o título deste blog (na quinta colocação).

Na verdade, a idéia de criar o blog surgiu perto da data do show da turnê Vertigo da banda U2, que assisti em Buenos Aires. Precisava um nome para ele, e ouvindo a música “Where the Streets Have No Name” veio o primeiro insight. No Japão, a grande maioria das ruas não tem nome, e os endereços são dados de uma forma hierárquica que divide as cidades em zonas, as zonas em quarteirões, e os quarteirões em prédios, de acordo com a ordem em que foram construídos.

Essa música, porém, é muito conhecida e queria um nome não tão popular. “City of Blinding Lights” foi a música de abertura do show, e Tokyo é, também, uma cidade de luzes cegantes, mais que qualquer outra no Japão. E onde estarei morando.

sábado, março 25, 2006

Atualizações…

O post de hoje é só um apanhado geral dos preparativos.

Já estou com minha passagem e o visto pro Canadá. O talão do ticket da passagem é tão magrinho, claro, nunca tinha tido uma passagem só de ida. A parte “burocrática” já está resolvida. Simplisticamente, é só eu aparecer no aeroporto dia 3 e entrar naquele avião.

Terminei o último trabalho que realizava por aqui. Os laços vão se desfazendo, uma coisa a menos que me prende. Entreguei a revisão técnica nessa sexta, fiquei satisfeito com o resultado. Infelizmente, só me pagam na próxima quinta-feira, e contava com esse dinheiro pra comprar mais uns presentes de viagem. Sem problemas: a mãe vai me emprestar dinheiro por essa semana.

Segunda-feira liberei meu armário na UFRGS. Na verdade, já estava quase vazio, apenas tirei o cadeado e o papelzinho que identificava o “proprietário”. Dizia: “Roberto Jung Drebes <drebes@aton.inf.ufrgs.br>”. Esse “aton” no email entrega que tomei posse dele lá por 1998, quando aluno de graduação não tinha email no domíno “@inf.ufrgs.br”, a menos que tivesse bolsa de iniciação científica no Instituto. Não bateu depressão ou sentimento algum. Talvez por já antes ter esvaziado o armário e me livrado de outras tralhas que tinha por lá.

Semana passada, visitei meu ex-professor de japonês. Ele sabia que eu tinha conseguido a bolsa, havia contado quando saiu o resultado preliminar. Dessa vez fui lá contar as novidades sobre o resultado final, além de comprar uma apostila do nível 3, e me despedir, claro. Não sei como vai ser o material de ensino de japonês lá: se vai ser tudo em japonês, com explicações em inglês, ou em português (duvido). Como já conheço o estilo do curso daqui (com explicações em português), em que dedicando-se, aprende-se, achei melhor levar pelo menos as apostilas dos 3 primeiros níveis. O sensei continua o cara legal de sempre, mas parecia mais abatido, quieto. Me contou que voltou faz pouco do Japão, passou uns meses em sua cidade natal com a mãe, que faleceu. Pra piorar, sua esposa continua mal de saúde, não mostrando sinais de melhora. Difícil manter o alto astral assim. Com isso, qualquer um se abala. Sei que é difícil, mas espero que ele se recupere, pois do jeito que está é uma lástima. Pelo menos peguei o email dele. Vou mandar notícias de vez em quando e acho que me ver progredindo no japonês deve fazê-lo um pouco mais feliz.

Comecei a preparar as malas. Na verdade, uma mala e uma mochila de viagem. Não devo chegar perto da franquia de bagagem, então tenho aproveitado pra levar o que chamo de “kit saudade”: coisas que me lembram bons momentos e pessoas por aqui. Presentes de amigos, postais, cartas e cartões que recebi. Roupas de inverno e sociais já estão embaladas, ficam faltando as de verão, livros, presentes de viagem e outras coisas menos importantes.

Nesses últimos meses, cada vez mais vejo que pessoas aparecem, e não é que não sejam as pessoas certas, mas o momento é que não é certo.

Por hora, é isso.

terça-feira, março 21, 2006

Longa viagem

Amanhã devo ir à Varig buscar minha passagem.

SERVICO        DE                  PARA                   PARTIDA CHEGADA
-------------- ------------------- --------------------- -------- -------
VARIG - RG 2111
SEG 03APR      PORTO ALEGRE RS     SAO PAULO SP           1400     1530
               SALGADO FIL         GUARULHOS INTL
SEM ESCALA                         TERMINAL 2             DURACAO  1:30
                                                       NAO FUMANTE
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA
               A BORDO: LANCHE
               EQP:BOEING 737-400
 
 
AIR CANADA - AC 91
SEG 03APR      SAO PAULO BR        TORONTO CA             2130     0700
               GUARULHOS INTL      PEARSON INTL                    04APR
               TERMINAL 2          TERMINAL 1
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA           DURACAO  10:30
 
 
AIR CANADA - AC 105
TER 04APR      TORONTO CA          VANCOUVER CA           1000     1157
               PEARSON INTL        INTL
               TERMINAL 1          TERMINAL M             DURACAO  4:57
               RESERVA CONFIRMADA   H ECONOMICA
 
 
JAPAN AIRLINES INTL - JL 17
TER 04APR      VANCOUVER CA        TOKYO JP               1305     1450
               INTL                NARITA                          05APR
               TERMINAL M          TERMINAL 2
               RESERVA CONFIRMADA   Y ECONOMICA           DURACAO  9:45

quinta-feira, março 16, 2006

Vestibulando?

Eu posso ter feito graduação, mestrado, e agora estar tentando doutorado no Japão, mas minha mãe insiste em, toda quarta-feira, deixar o caderno de vestibular do jornal no meu quarto.

Essa é uma das coisas que eu não vou sentir saudades. :P

quarta-feira, março 15, 2006

Curso de japonês

Recebi um mail da secretária do chefe. A Setsuko1, alias, é quem tem me dado uma mão com vários assuntos, como achar o dormitório e me inscrever no curso de japonês. Era sobre isso o mail. Ela queria saber qual das duas opções eu estava interessado: fazer o curso intensivos, com 4 a 6 horas diárias e aulas todos os dias da semana, ou o curso “light”, três vezes por semana com uma hora e meia por dia. O primeiro parece que normalmente tem menos alunos por turma, e muito mais tarefas pra se fazer.

Além de realmente achar que com meu nível de japonês (leia-se, muito básico) é melhor eu fazer o curso intensivo, essa também é a recomendação do chefe. Então acho que está decidido. Japonês 6 horas por dia, todo dia da semana. :)

As turmas desse nível em geral tem de quatro a dez alunos, mas, segundo a Setsuko, o número de estudantes aceitos na Universidade de Tokyo esse ano é maior que 100, quase o dobro do normal. Portanto, as aulas de japonês estarão mais cheias. Espero que isso não seja um problema.

1 Deixando claro desde já, porque essa também foi uma dúvida no primeiro contato que tive com japoneses: o nome terminado em “o” leva a pensar que é um homem, mas nomes japoneses terminados em “ko”, como a Ayako, do consulado, sempre são mulheres. O kanji “ko” (子) significa filho, mas geralmente (sempre?) é usado pra se referenciar a filhos do sexo feminino, isto é, filhas.